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Livro analisa evolução das posições de Turner sobre a escravidão

Livro desvenda a evolução de Turner diante da escravidão, conectando investimentos de patrons e a leitura da obra The Slave Ship como denúncia contemporânea

J. M. W. Turner, *SlaversThrowing overboard the Dead and Dying – Typhon coming on* (*The Slave Ship*) (1840) which sits at the Museum of Fine Arts, Boston
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  • O livro de Sam Smiles amplia a leitura sobre J. M. W. Turner e a escravidão, com pesquisa documental detalhada sobre a vida do pintor.
  • Em 1805, Turner investiu em um empreendimento na Jamaica ligado à criação de gado, usando recursos para quitar hipoteca e adquirir cativos; a prática é discutida no contexto de sua fortuna.
  • A obra reavalia a leitura de Slavers Throwing Overboard the Dead and Dying – Typhoon Coming On (1840), defendendo que o quadro funciona como reportagem artística de abusos da travessia, não apenas como denúncia posterior.
  • Smiles reconstruindo as ligações de Turner com patronos e colecionadores ricos, alguns contrários à abolição, como John Fuller, mostrando que o financiamento de suas telas teve origens ligadas à escravidão.
  • O estudo aborda representações da escravidão e da emancipação na época, dialogando com pesquisas recentes e questionando a ideia de que a obra se baseia unicamente no caso Zong de 1781.

Sam Smiles lança um estudo completo sobre J. M. W. Turner e a relação dele com o comércio de escravos. O livro, publicado em 2025, revisita a trajetória do artista desde o patrocínio inicial até a obra The Slave Ship, de 1840, hoje no Museum of Fine Arts, Boston.

A obra mergulha na pesquisa de arquivo, revelando que Turner participou de um empreendimento na Jamaica ligado à criação de gado e à posse de escravos. O objetivo era quitar dívidas e manter investidores na operação, segundo o estudo.

Smiles sustenta que o caminho do pintor não se resume a uma visão benigna do passado. O livro apresenta o contexto de patrocínio por famílias abastadas e de mercadores locais, além de ligações com colecionadores contrários à abolição.

O pesquisador também reconstrói a circulação de recursos: dinheiro de patronos ricos, muitos favoráveis à escravidão, que financiavam a produção das telas. O volume traça a conexão entre Turner e o círculo de colecionadores da época.

No capítulo dedicado à obra central, o autor discute novas leituras de The Slave Ship, questionando a ideia de que o quadro remonta apenas a um incidente do século XVIII. A hipótese é de que o tema era uma denúncia de prática contemporânea aos anos de 1840.

O livro recupera detalhes da pintura para sustentar que Turner retratou o sofrimento humano de forma direta, ainda que a estética tenha mediado o horror. A análise compara fontes históricas, obras de contemporâneos e relatos de abolitionistas.

Além de Turner, a pesquisa situa o debate sobre escravidão na esfera de influências e interesses. São examinados ainda outros artistas, patrons e mercadores que financiaram obras similares, ampliando o retrato do cenário cultural do período.

A publicação cita uma continuidade de críticas e leituras, incluindo trabalhos recentes que discutem a relação entre arte, viagem e escravidão. O estudo cita fontes que ampliam a compreensão do tema e de como Turner é visto hoje.

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