- Conjunto de dezesseis desenhos atribuídos a Tarsila do Amaral teve autoria confirmada por um comitê, liderado pelo perito Douglas Quintale, com certificado de autenticidade emitido pela Tarsila S.A.
- Parte da família contesta a decisão e questiona o trabalho do perito, mantendo o impasse judicial.
- Quinze itens pertencem ao tradutor e pesquisador Alípio Neto, que herdou papéis de Guilherme de Almeida e buscava reconhecimento legal.
- Paola Montenegro, à frente dos direitos autorais, também atesta a veracidade; os especialistas do catálogo raisonné não se manifestaram.
- Além das ilustrações, Quintale afirmou a autenticidade da pintura Paisagem 1925 e houve a identificação de uma 16ª ilustração da costa da Bahia, ligada ao Museu Casa Guilherme de Almeida.
Um conjunto de 16 desenhos atribuídos a Tarsila do Amaral teve a autoria reconhecida por um comitê técnico, nesta segunda-feira. A certificação partiu da Tarsila S.A., empresa que administra a obra da artista, integrada por parte dos herdeiros. A decisão gerou reação contrária de outros familiares.
De acordo com os peritos, os trabalhos retratam cenas do litoral brasileiro, incluindo barquinhos, coqueiros e o morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Acredita-se que teriam sido criados para ilustrar um livro de conferências do poeta Guilherme de Almeida na década de 1920, que nunca foi publicado.
Entre os 16 desenhos, 15 pertencem ao pesquisador Alípio Neto, que lutava judicialmente pela certificação. Neto apontou que encontrou as obras entre os papéis herdados do biógrafo Guilherme de Almeida, Frederico Ozanam.
O processo recebeu resistência de parte da família, representada pela sobrinha-neta de Tarsila, Tarsilinha do Amaral, e por outros detentores dos direitos. A defesa sustenta que os técnicos históricos ainda possuem relevância para a avaliação, mesmo com a nova certificação.
Além de Quintale, Paola Montenegro, também à frente dos direitos autorais pela Tarsila S.A., atestou a veracidade da autoria. Os catalogadores do catálogo raisonné não se manifestaram, pois não atuam mais oficialmente, após restrições impostas pelos detentores atuais dos direitos.
O dono das ilustrações afirma que a certificação facilita planos futuros, como livros, exposições e conferências. Ele revelou a localização de uma 16ª ilustração, com cena da costa da Bahia, que fica no Museu Casa Guilherme de Almeida, em São Paulo.
Com o novo selo, as 16 ilustrações podem compor eventuais reedições do catálogo raisonné, reforçando a autoria de Tarsila do Amaral segundo o comitê técnico. A disputa entre herdeiros, porém, continua sob avaliação de diferentes partes envolvidas.
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