- Mendes Wood DM, em São Paulo, exibe pela primeira vez uma mostra solo de Lygia Pape, dividida entre dois espaços para antecipar o centenário da artista, que morreu em 2004.
- A exposição reúne obras icônicas e menos conhecidas, como as esferas brancas da Casa Iramaia e a série Amazoninos, que exploram a relação entre público, espaço e matéria.
- O conjunto enfatiza a passagem entre o físico e o imaterial, incluindo peças que lembram as Ttéias, os livros e outras invenções que marcaram o neoconcretismo.
- O curador Germano Dushá destaca o fluxo contínuo do gesto neoconcreto, em contraste com a rigidez do concretismo.
- A mostra conecta o legado da artista ao trabalho da filha, Paula Pape, diretora do Projeto Lygia Pape, que também indica a continuidade de pesquisas ligadas à Amazônia.
Três placas coloridas flutuam no espaço da Mendes Wood DM, em São Paulo, em uma mostra que une passagem histórica e experimentação. A exposição celebra o legado de Lygia Pape, precursor do neoconcretismo, já próxima do centenário de nascimento. O conceito físico e imaterial se mistura em obras instalativas.
Entre peças icônicas e trabalhos menos conhecidos, a mostra divide-se entre dois espaços e antecipa o aniversário da artista, falecida em 2004. A curadoria destaca a trajetória que rompeu limites entre matéria e ideia, com a palavra sendo o rótulo da instalação-título.
O conceito da exposição
Nas salas, placas translúcidas carregam a palavra *Sendo*, apontando para a ideia de ação contínua que não se encerra. A curadoria explica a abordagem como fluxo energético e gestual, contrapondo a rigidez do Concretismo tradicional.
Obras em destaque
No corredor da Barra Funda, as séries Amazoninos ocupam painéis de ferro com formas que saltam das paredes, criando diálogo entre público e obra. Pequenos hologramas de Steegmann Mangrané aparecem como complemento de uma visão contemporânea sobre o homem e a natureza.
Espelhos, tecidos e luz
Na Casa Iramaia, esferas brancas com aberturas pretas convidam o visitante a olhar para o interior. Ao longe, rupturas são percebidas como tecidos que se revelam, reforçando a ideia de redefinição da distância entre obra e observador.
Contexto e legado
A mostra também conecta-se ao trabalho de Paula Pape, filha da artista, que administra o Projeto Lygia Pape. A relação entre gerações é destacada pela amplitude da obra materna, que abrange cinema experimental, xilogravuras e instalações interativas.
Interação e percepção
As obras convidam o público a experimentar, comparar superfícies e explorar a fronteira entre o físico e o imaterial. A narrativa visual combina peças históricas com propostas contemporâneas, reiterando a posição de Pape como educadora da percepção.
Relevância histórica
Especialistas ressaltam a importância da girada estética que Pape realizou sobre a arte brasileira, influenciando nomes como Oiticica e Clark. A exposição sustenta a discussão sobre como o objeto pode provocar participação e questionamento.
Conexões com a botique de arte
Entre obras, o acervo de livros de Pape estimula a leitura do mundo visual como experiência sensorial. A mostra reafirma o papel da artista na genealogia do neoconcretismo e sua contribuição para a renegociação da relação entre público e obra.
Perspectivas para o público
O conjunto reforça a ideia de que a matéria pode servir de ponte para o imaterial. Ao incorporar luz, movimento e interação, a exposição propicia uma experiência que transcende a contemplação estática.
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