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Aos 77 anos, o pintor Archie Rand ainda revela novas histórias

Com 77 anos, Archie Rand segue produzindo novas obras; mostra “Heads” na Jarvis Art, em Nova York, atesta continuidade criativa e prática diária.

Archie Rand in his Brooklyn Studio.
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  • Archie Rand, aos 77 anos, segue produzindo novas obras e apresentando a série “Heads” em Jarvis Art, com curadoria de Max Werner e Lindsay Jarvis.
  • A mostra atual inclui peças em que figuras como um menino tocando trompete aparecem em cenários oníricos, com narrativas que parecem ter começado no meio da história.
  • Rand mantém um estúdio amplo em Clinton Hill, onde convive com peças, discos e livros, e já ensinou na Universidade Columbia; hoje é Professor Presidente de Arte na Brooklyn College.
  • O artista descreve seu processo de pintura como centrado no suficiente, mantendo uma linha de pesquisa que não busca se encaixar em categorias da arte contemporânea.
  • Rand ainda vê o futuro de seu trabalho de forma pragmática: pode haver defesa de manter sua obra viva ou deixar que se degrade, mas afirma estar satisfeito com a vida e com o que realizou.

Archie Rand, aos 77 anos, segue produzindo séries novas mesmo após décadas de atividade. A entrevista com o artista, realizada em seu estúdio em Brooklyn, revela como ele encara o acabamento de uma pintura e o que o impulsiona a continuar criando.

O destaque da medida atual é a mostra de pinturas recentes intitulada Heads, em cartaz na Jarvis Art. O conjunto reúne obras que dialogam com a narrativa visual característica de Rand, com composições que parecem trechos de histórias em andamento.

O estúdio de Rand fica em Clinton Hill, um espaço de 50 pés de largura por 100 pés de comprimento, com pé direito de 35 pés. O artista integrou aquecimento radiante por água para ampliar a área do local, que abriga prateleiras de CDs, livros, revistas, um piano e várias séries de telas.

Em paralelo aos trabalhos, Rand mantém uma rotina de ensino. Ele já ocupou o posto de presidente do departamento de artes visuais na Columbia e, hoje, é Professor Presidente de Arte no Brooklyn College. Seu método envolve começar com uma ou duas telas estruturadas em grade, para depois deixar a pintura seguir o rumo próprio.

A mostra em Jarvis Art é co-curada por Max Werner, filho de dealers influentes no mercado, e Lindsay Jarvis. Werner, que conheceu Rand ainda criança, afirma que o artista acompanha o tempo de forma singular, mudando de linguagem sem perder a essência de sua obra. Jarvis, por sua vez, destaca a linguagem visual única de Rand em uma era de trabalhos fortemente derivativos.

Entre as peças, destaca-se Duck (2025), na qual duas crianças navegam em um catamarã sob uma tripulação de cores vibrantes. Em outra obra, intitulada Duck, o mar aparece agitado e o humor do animal figura como elemento de contraponto a uma tensão dramática. A curadoria ressalta que Rand costuma apresentar as cenas no meio da ação, deixando ao espectador a tarefa de imaginar o desfecho.

Rand nasceu em Brooklyn, em 1949, e estudou no Art Students League e na Pratt Institute, com foco em cinegrafia. A prática de contar histórias por meio de imagens fixas o acompanhou desde jovem, quando já expunha em galerias comerciais aos 17 anos. A influência de Philip Guston, após a visita a Marlborough Gallery, o levou a repensar seu caminho artístico.

Ao longo da carreira, Rand manteve uma relação estreita com o texto e a memória. Ele relembra encontros com Guston e a troca de ideias que moldou sua visão sobre a pintura figurativa em uma época marcada por mudanças no abstracionismo. A experiência, segundo ele, ajudou a consolidar uma prática que não se enquadra facilmente em rótulos.

Além do eixo criativo, Rand discute a inspiração literária e musical que embala seu ateliê. O estúdio recebe Brahms e Dolphy entre os sons que acompanham o processo criativo, segundo relatos de quem trabalha com o artista. Rand expressa satisfação com a própria trajetória e afirma ter feito o que precisava, sem depender de reconhecimento pós-vida.

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