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Fernando Novais, guardião do métier do historiador e da democracia no Brasil

Historiador Fernando Novais moldou gerações de historiadores e estruturou programas de pós-graduação no Brasil, influenciando a memória histórica

Fernando Novais - Foto: Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP
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  • Fernando Antônio Novais (1933-2026) foi historiador brasileiro dedicado ao ensino, formação de gerações de historiadores e à pesquisa universitária, com atuação marcante na USP e na Unicamp.
  • Contribuiu para a criação de programas de pós-graduação na USP e no Instituto de Economia da Unicamp, além de lecionar em diversos departamentos ao longo de sua carreira.
  • Destacou-se pelo estudo da colonização do Brasil e da escravidão, pela relação entre marxismo e historiografia e pela histórica compreensão da memória e da transmissão histórica.
  • Sua obra seminal, Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial 1777-1808, nasceu no contexto político de repressão em Portugal e foi publicada em livro em 1979; participou de debates internacionais sobre colonização e escravidão.
  • Entre 1995 e 1998 dirigiu o projeto editorial História da Vida Privada, que ampliou fontes e perspectivas sobre a relação entre esfera pública e sociabilidade privada no Brasil, fortalecendo a profissionalização dos historiadores.

Fernando Antônio Novais (1933-2026) dedicou sete décadas ao ensino da história e à formação de gerações de historiadores no Brasil. Durante a graduação na USP, atuou como auxiliar de ensino na disciplina de História Econômica Geral e do Brasil.

Ao se licenciar, seguiu lecionando em colégios e, em 1961, ingressou no Departamento de História da USP, onde permaneceu até a aposentadoria em 1985. Atuou em múltiplos departamentos, ampliando o alcance de seus ensinamentos.

Formação e atuação institucional

Participou da criação da Unicamp (1971-1974) e, após a aposentadoria, lecionou no Instituto de Economia e na Facamp por mais duas décadas. Contribuiu para estruturar programas de pós-graduação na USP e na Unicamp, com foco na história da colonização e na escravatura em perspectiva comparada.

Desde 1974, ministrou cursos sobre a colonização do Brasil e a escravatura, com ênfase comparada Brasil-Estados Unidos. Nos anos 1990, passou a lecionar História da Historiografia na Unicamp, reiterando que a história é essencial para formar economistas.

Obra e métodos

Novais defendia que o historiador deve dialogar com fontes arquivísticas, livros didáticos e memória audiovisual. Avaliava que a transmissão da memória histórica revela transformações econômicas e políticas do presente. Também discutiu o papel da leitura crítica na historiografia.

Sua obra mais conhecida, Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial 1777-1808, nasceu sob contexto de repressão política em Portugal e da colaboração com historiadores críticos ao autoritarismo. O livro foi publicado em 1979.

Contribuições intelectuais

Foi referência no debate sobre desenvolvimento, colonização e as relações entre marxismo e historiografia. Participou de grupos de leitura de O Capital e publicou textos sobre a relação entre metrópole portuguesa e elites coloniais. Atuou na coletânea 1822: Dimensões durante o regime militar.

Entre 1995 e 1998, dirigiu a História da Vida Privada, obra coletiva que evidenciou fontes e questões de sociabilidade, violência cotidiana e racismo estrutural. O projeto renovou a historiografia brasileira ao ampliar o repertório de fontes.

Legado e estilo

Novais era visto como um defensor da profissionalização do históriador, tanto na pesquisa quanto na docência. Defendia o rigor nas citações e a qualidade formal dos textos acadêmicos. Casado com Horieta Novais, deixa filhos, netos e uma comunidade de alunos e colegas.

Seu trabalho permanece como referência para estudos sobre colonialismo, escravidão e memória histórica no Brasil. As instituições que moldou seguem influentes na formação de novos pesquisadores.

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