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Rosana Paulino: 25 anos para viver de arte e chegar à Bienal de Veneza

Rosana Paulino leva à Bienal de Veneza leitura crítica da formação do Brasil, destacando o papel de três mulheres negras no pavilhão brasileiro

A artista plástica Rosana Paulino leva à Bienal de Veneza seu olhar sobre a formação do Brasil — Foto: Ana Branco/Agência O Globo
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  • Rosana Paulino ocupa o pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza em maio, junto com Adriana Varejão, com o projeto Comigo Ninguém Pode, curadoria de Diane Lima.
  • O enfoque da mostra é a formação do Brasil, desde a colonização até as marcas da escravidão, destacando a construção cultural a partir de populações negras.
  • A exposição reúne obras históricas e produções novas, dialogando com a violência estrutural da colonização e com a série Senhora das Plantas (2024).
  • Paulino destaca que, pela primeira vez, três mulheres — duas negras — integram o pavilhão do Brasil, sinalizando representatividade e mudança de eixo de poder do Sul Global.
  • Em entrevista, a artista relembra que levou vinte e cinco anos para viver exclusivamente de arte, e reforça a importância de ampliar a leitura da produção artística como arte brasileira.

Rosana Paulino leva à Bienal de Veneza um olhar sobre a formação do Brasil, unindo arte e pesquisa histórica. A exposição Comigo Ninguém Pode reúne obras de sua trajetória com a curadoria de Diane Lima, ao lado de Adriana Varejão, no pavilhão brasileiro.

A artista, que vive e trabalha em São Paulo, reforça o vínculo entre memória e vida pública. A leitura proposta parte da escravização e de marcas coloniais, destacando como esse passado molda o presente cultural brasileiro.

Aos 60 anos e com 34 de carreira, Paulino atua ainda como pesquisadora de imagens do passado. Em Veneza, a mostra dialoga entre obras históricas e produções novas, conectadas pela violência estrutural da colonização.

O projeto também faz referência à planta que dá nome ao trabalho, associada à proteção pela toxicidade e ao desenho da série Senhora das Plantas. O conjunto busca um olhar crítico sobre a formação nacional.

Em entrevista a contexto da exposição, Paulino relata a relação com a obra de Varejão. Uma escultura em bronze surgiu a partir de uma sugestão da curadora, a partir de um desenho antigo da artista.

A trajetória de Paulino é marcada pela imaginação de uma mulher negra no circuito de arte, com foco em questões de feminilidade e violência contra corpos negros. Ela destaca o papel de sua família na construção do percurso.

O interesse por estudar, pesquisar e compartilhar conhecimento levou a artista a reconhecer o momento de ascensão do Sul Global. O objetivo é ampliar a leitura sobre o papel do Brasil no cenário internacional de artes.

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