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Tamara Klink lança livro em SP sobre expedição solitária ao Ártico

Tamara Klink conta oito meses isolada no Ártico a bordo do Sardinha 2, destacando riscos, aprendizado e impactos climáticos da expedição

SEM LIMITES - Tamara Klink, no veleiro, Sardinha 2: não existe o "nada" no Ártico, mas o movimento intenso da natureza (Maria Eduarda Leite/Divulgação)
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  • Tamara Klink lançou o livro Bom Dia, Inverno, em São Paulo, contando a expedição ao Ártico.
  • Ela tornou-se a primeira mulher a passar um inverno inteiro sozinha em um veleiro, Sardinha 2, sob temperaturas de até -40 °C, na Groenlândia.
  • A viagem começou em julho de dois mil e vinte e três, partindo da França, e terminou em julho de dois mil e vinte e quatro, no porto de Ilulissat, na costa oeste da Groenlândia.
  • O livro mistura diário de bordo com narrativa em formato de romance, incluindo encontros com caçadores e um xamã, além de reflexões sobre medo e solidão.
  • O trajeto anterior pela Atlântico Norte e o barco de aço de dez metros mostram escolhas simples e hídricas; as mudanças climáticas ficaram evidentes com gelo mais fino e instável.

Tamara Klink, 29, lança em São Paulo o livro Bom Dia, Inverno, pela Companhia das Letras, contando a expedição ao Ártico. A autora tornou-se a primeira mulher a passar um inverno inteiro sozinha em um veleiro sob temperaturas de até -40 °C, na Groenlândia.

A jornada começou em julho de 2023, com saída da França. Após cerca de 20 dias de navegação, ela chegou à Groenlândia e permaneceu isolada por oito meses, finalizando a expedição em julho de 2024, no porto de Ilulissat, região oeste.

O barco utilizado foi o Sardinha 2, um casco de aço de 10 metros, de baixo orçamento. A escolha atual refletiu limitações financeiras e a intenção de manter a viagem simples e reparável em portos variados.

A autora descreve a ideia como continuidade de travessias anteriores, buscando um inverno completo em altas latitudes. O livro nasceu como diário de bordo, expandido ao longo de três anos com a colaboração de Alice, para incluir encontros, medos e memórias.

A narrativa não é um diário de navegação puro. Além de relatos de navegação, o livro incorpora encontros com caçadores e um xamã e reorganiza a experiência em uma linha temporal contínua.

Tamara já tinha realizado a primeira grande viagem solo em 2020, quando adquiriu um barco na Noruega e navegou até a França durante a pandemia. Aquela travessia, com o Sardinha 1, rendeu o livro Mil Milhas e serviu para ganhar prática e confiança.

O percurso Atlântico Norte foi marcado por condições extremas, gelo fragmentado, neblina e cartas náuticas imprecisas. A maior dificuldade foi o cansaço e o convívio com o frio intenso, que exigiu vigilância constante.

Durante a expedição, as mudanças climáticas ficaram evidentes, com gelo mais fino e instável. Moradores relataram acidentes, incluindo mortes de caçadores e de um pesquisador japonês, e o inverno mostrou menor previsibilidade.

Momentos de perigo incluíram queda na água e o barco preso entre icebergs, exigindo manobras com velocidade e precisão. A autora destacou que o cansaço foi o maior obstáculo físico, agravado pela necessidade de interpretar o gelo.

A rotina de oito meses de isolamento envolveu observação do céu, auroras e o reflexo da lua na neve. A água líquida tornou-se preciosa, exigindo técnicas de derretimento de gelo e coleta de água de icebergs.

Para se preparar, Tamara contava com roupas técnicas, suprimentos médicos, peças de reparo e alimentação planejada com uma nutricionista. A base alimentar foi vegana, com grãos germináveis, arroz, feijão, lentilha e conservas, somadas à pesca que ajudou a reduzir o consumo.

A escrita teve papel central para organizar pensamentos e auxiliar resgates. A autora gravou áudios com sons do gelo, da fauna e de pensamentos aleatórios, mantendo o diário de bordo como referência prática.

Entre os aprendizados, destacam-se a importância da preparação e da prudência, além da compreensão de que abundância não equivale a satisfação. A experiência alterou a percepção sobre água, luz e recursos raros.

A comunicação com a família foi limitada, via telefone satelital antigo que permitia mensagens simples. A autora descreve a experiência como uma forma de tornar-se navegadora mais completa, com cada função exigindo atuação em diversas frentes.

Sobre o que vem a seguir, Tamara permanece morando no barco e planeja retornar para a região da África, mantendo o foco em novas jornadas marítimas.

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