- Dor crônica afeta 36,9% dos brasileiros com mais de cinquenta anos, segundo o Ministério da Saúde.
- Entre os pacientes, 30% usam opioides; maior incidência ocorre entre mulheres, pessoas de baixa renda e indivíduos com artrite, dores na coluna, depressão, histórico de quedas e internações.
- Estudo da Universidade Federal de Alfenas, com 57 pacientes, aponta que a intensidade da dor está ligada ao impacto nas atividades diárias e à piora da saúde mental (35% fibromialgia, 21% osteoartrite e 14% artrite reumatoide).
- Avanços no tratamento incluem estimulação medular de alta frequência, neuromodulação, ultrassom de alta resolução para guiar procedimentos e terapias biológicas como plasma rico em plaquetas e células-tronco.
- Intervenções minimamente invasivas, como bloqueios de nervos, infiltrações guiadas por imagem, radiofrequência e estimulação, ganham espaço, mas a integração de equipes multidisciplinares permanece o desafio.
O Brasil enfrenta um aumento da dor crônica entre adultos, afetando 36,9% das pessoas com mais de 50 anos. Entre os acometidos, 30% recorrem a opioides. Mulheres, pessoas de baixa renda e quem tem artrite, dor na coluna, depressão, quedas ou internações aparecem com mais intensidade.
Um estudo da UFAL, em Minas Gerais, com 57 pacientes, aponta que 35% têm fibromialgia, 21% osteoartrite e 14% artrite reumatoide. A dor crônica teve relação direta com maior impacto nas atividades diárias e piora da saúde mental.
O médico ortopedista Victor Augusto Leite destaca que o Brasil enfrenta fatores convergentes que elevam o quadro. Segundo ele, há desigualdade de acesso a diagnósticos especializados e uma cultura de automedicação que mascara problemas.
O especialista explica que o envelhecimento gera mais doenças degenerativas, enquanto sedentarismo e obesidade sobrecarregam estruturas musculoesqueléticas. Estresse crônico e transtornos de ansiedade também ampliam a percepção de dor.
Diagnóstico
Para Leite, o diagnóstico correto é a base de um tratamento eficaz. Diferente da dor aguda, a dor crônica envolve sensibilização central, componentes neuropáticos e fatores psicossociais. Um mapeamento preciso orienta a intervenção certa.
Uma anamnese detalhada e exame físico criterioso são indispensáveis para identificar a origem da dor. A ressonância magnética é o principal exame de imagem para estruturas musculoesqueléticas e neurais, e a eletroneuromiografia ajuda em casos neuropáticos.
Esquemas de dor validados, como EVA e DN4, qualificam o quadro. Em alguns casos, bloqueios diagnósticos guiados por fluoroscopia ou ultrassom ajudam a confirmar a origem antes de definir o tratamento.
Avanços no tratamento
Leite cita avanços em estimulação medular de alta frequência e neuromodulação para dores refratárias. O ultrassom de alta resolução guia procedimentos em tempo real, aumentando precisão e segurança.
Terapias biológicas, como plasma rico em plaquetas e células-tronco, aparecem como possibilidades promissoras, em evolução científica. A combinação de diagnóstico preciso, abordagem individualizada e atuação multidisciplinar é destacada.
Entre as intervenções minimamente invasivas, o médico cita bloqueios de nervos periféricos, infiltrações articulares guiadas por imagem, radiofrequência para facetas e neuropatias, além da estimulação medular.
Esses procedimentos costumam oferecer recuperação rápida e menor risco de complicações, podendo ser realizados em formato ambulatorial. São indicados quando tratar clinicamente não resolve plenamente e não há indicação cirúrgica imediata.
Leite reforça que tecnologia e técnicas minimamente invasivas democratizam acesso, mas a integração entre equipes multidisciplinares ainda é um desafio no Brasil. O futuro, segundo ele, passa por cuidado individualizado, evidências e cooperação entre especialidades.
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