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Dor menstrual é subnotificada no SUS, aponta estudo com 21 vezes mais casos

Estudo com IA mostra que dores menstruais no SUS são 21 vezes mais registradas do que os códigos indicam, destacando subnotificação e necessidade de melhoria

Paciente recebe implante hormonal na atenção primária do Recife (PE)
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  • Estudo realizado em Recife com 469 mil mulheres de 10 a 49 anos, entre 2016 e 2025, aponta que, ao usar IA, há 21 vezes mais queixas de dor menstrual e pélvica do que os códigos oficiais indicam.
  • Quando analisados apenas os códigos da CID‑10, houveram registros em 0,5% das pacientes; com análise semântica, o número sobe para mais de 41 mil casos, cerca de 9% da amostra.
  • Em menos de 5% dos prontuários havia informações sobre intensidade, frequência ou duração da dor, dados essenciais para orientar a conduta clínica.
  • Mulheres com registro de dor pélvica buscaram atendimento em média 24 vezes, quase cinco vezes mais que aquelas sem histórico de dor, indicando repetidos contatos sem manejo adequado.
  • A Secretaria Municipal de Saúde do Recife planeja capacitar mais de 3.000 profissionais da atenção básica e implementar protocolo de planejamento sexual e reprodutivo, além de ampliar serviços como implante contraceptivo, ultrassom itinerante e ambulatórios especializados.

Milhares de meninas e mulheres convivem com dores menstruais e pélvicas, mas os registros do SUS captam apenas uma fração. Um estudo da Vital Strategies Brasil, em parceria com a UFJF, aponta 21 vezes mais casos ocultos nos prontuários.

A pesquisa analisou dados de 469 mil mulheres de 10 a 49 anos atendidas na rede municipal de Recife entre 2016 e 2025. Utilizando IA para ler textos livres, o total de casos estimados chegou a mais de 41 mil, frente a 1.906 registros por CID-10.

Ao considerar apenas os códigos padronizados, a taxa de registro foi de 0,5%, equivalente a 1.906 mulheres. Com a análise semântica, o número passou a representar 9% da amostra, cerca de 41 mil casos.

Desvendando as informações nos prontuários

Os dados apontam falhas na qualidade das informações registradas. Em menos de 5% dos casos havia menções à intensidade, frequência ou duração da dor, fatores críticos para conduta clínica.

Mulheres com registro de dor pélvica tiveram, em média, 24 atendimentos no período, quase cinco vezes mais do que aquelas sem histórico de dor, evidenciando demanda contínua nos serviços.

Termos como endometriose e adenomiose aparecem nos relatos subjetivos, mas diminuem nos campos objetivos e de plano, o que sugere diagnóstico reconhecido, mas manejo clínico inadequado na atenção básica.

Para a secretária municipal de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque, a pesquisa expõe um problema histórico. Ela afirma que será feito treinamento de mais de 3.000 profissionais da atenção básica e a implementação de um novo protocolo de planejamento sexual e reprodutivo.

A rede já dispõe de ferramentas para ampliar diagnóstico e tratamento, como o implante contraceptivo Implanon, ultrassom itinerante e ambulatórios no Hospital da Mulher e em policlínicas.

A estudante Cecília Vieira, 22 anos, relatou que o implante, oferecido pelo SUS, eliminou as dores que a acompanhavam desde a adolescência; o plano de saúde não cobria o método, o que motivou a busca pela oferta pública.

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