- Em 2024, o Brasil registra a menor taxa de homicídios da série histórica do Atlas da Violência (desde 2014): 20,1 mortes por 100 mil habitantes, queda de 7,4% frente a 2023; foram 42.590 assassinatos, 6,9% a menos.
- Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde; a tendência de 2014 a 2024 aponta queda de 33,4% na taxa e redução de 29,6% no total.
- Entre as unidades da Federação, o Amapá foi o único estado com aumento expressivo, elevando a taxa em 30,2% e os homicídios em 41,8%; as maiores quedas ocorreram em Amapá (-30,0%), Tocantins (-26,7%), Sergipe (-24,8%), Roraima (-22,8%) e Acre (-20,5%).
- Homicídios ocultos — mortes violentas com causa indeterminada — somaram 7.083 em 2024, alta de 88,6% em relação a 2023; correspondem a 14,3% dos homicídios estimados para o ano.
- As menores taxas estimadas de homicídios ocorreram em Santa Catarina, São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul; as maiores, em Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará.
O Brasil registrou em 2024 o menor patamar de homicídios desde o início da série histórica do Atlas da Violência, em 2014. O estudo, feito pelo Ipea em parceria com o FBSP, aponta 42.590 assassinatos no ano, 6,9% a menos que em 2023, e uma taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes.
A Análise foi baseada em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sinan, do Ministério da Saúde. Entre 2014 e 2024, a taxa nacional caiu 33,4%, com redução de 29,6% no total de casos.
Nesses dez anos, apenas o Amapá teve aumento expressivo da taxa (+30,2%) e do número de homicídios (+41,8%). O estudo também aponta subnotificação crescente e percepção de insegurança ainda elevada.
Desempenho regional
A melhoria foi disseminada, mas de forma desigual. Maranhão e Ceará registraram aumentos de 7,6% e 5,2%, respectivamente, entre 2023 e 2024; São Paulo permaneceu estável. As quedas mais acentuadas ocorreram no Amapá (-30,0%), Tocantins (-26,7%), Sergipe (-24,8%), Roraima (-22,8%) e Acre (-20,5%).
Nos números absolutos, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Goiás e Amazonas registraram as maiores reduções de mortes violentas em 2024. Em termos de taxas, São Paulo teve 6,6 por 100 mil, Santa Catarina 8,1, Distrito Federal 10,3, Minas Gerais 12,8 e Rio Grande do Sul 15,2.
Entre municípios com mais de 100 mil habitantes, maioria violenta fica no Nordeste, enquanto as cidades menos violentas se concentram no Sul e Sudeste.
Homicídios ocultos e MVCI
Foram identificadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), casos em que a causa básica não é definida. Em 2024, houve 3.311 MVCI, aumento de 23,8% frente a 2023. No total, 17.207 mortes violentas não tiveram causa definida, segundo o Atlas.
Os pesquisadores indicam que parte dessas mortes correspondem a homicídios subnotificados. Com a nova metodologia, 7.083 casos de mortes não classificadas como homicídio foram reclassificados como homicídios ocultos, elevando a estimativa de homicídios para além dos números oficiais.
A expansão de homicídios ocultos colocou 14,3% dos homicídios estimados em 2024 nessa categoria, ante 7,6% em 2023. Entre 2014 e 2024, o Brasil registrou cerca de 55.212 homicídios ocultos, com média anual de 5.019,3 casos.
As taxas estimadas apresentaram distribuição semelhante à oficial, com maiores níveis no Amapá, Ceará, Bahia, Alagoas e Pernambuco; as menores ficam em Santa Catarina, Distrito Federal, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
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