- Em 2024, o Brasil teve 3.642 homicídios de mulheres, o menor número desde o início da série histórica em 2014.
- a queda frente a 2023 foi de 6,7%, e a taxa nacional ficou em 3,4 mortes por cada 100 mil mulheres.
- ao todo, entre 2014 e 2024, foram 46.336 assassinatos de mulheres, redução de 27,7% na década.
- a violência dentro de casa permaneceu estável; 79,9% dos casos ocorreram na residência da vítima.
- em 2024, as maiores taxas foram em Roraima (12,6), enquanto São Paulo teve o menor índice (1,5). também houve desigualdade racial: 2.457 mulheres negras assassinadas, 67,5% do total, em 2024.
O Brasil registrou em 2024 o menor número de homicídios de mulheres desde o início da série, em 2014. Foram 3.642 casos, queda de 6,7% ante 2023 e o menor patamar já observado. Ao longo de uma década, a taxa caiu 27,7%, de 4,7 para 3,4 por 100 mil mulheres.
No total, entre 2014 e 2024, 46.336 mulheres foram assassinadas no país, segundo estudo do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A queda ocorreu principalmente em espaços públicos, mas não se repetiu no âmbito doméstico.
O pico da série foi em 2017, com 4,7 mortes por 100 mil. De 2018 em diante, houve retração gradual, especialmente entre 2018 e 2019. Nos anos seguintes, o patamar permaneceu relativamente estável.
Desigualdade racial
A violência letal contra mulheres permanece fortemente ligada à raça. Em 2024, 2.457 mulheres negras foram assassinadas, 67,5% do total, com taxa de 4 por 100 mil. Entre mulheres não negras, o índice ficou em 2,4.
As maiores taxas entre negras ocorreram no Ceará (7,2), Pernambuco (6,7) e Espírito Santo (6,5). Em São Paulo houve o menor índice, 1,4 por 100 mil mulheres negras.
A distância entre grupos segue elevada, ainda que haja queda também entre negras (de 5,6 em 2014 para 4,0 em 2024). A comparação com não negras aponta para persistente desigualdade racial na violência.
Atendimentos
Além dos homicídios, o Atlas avaliou a violência não letal recebida pela rede de saúde. Em 2024, 293.842 mulheres foram atendidas por violência, com a maior parte ocorrendo em contextos domésticos (64%).
Casos classificados como violência comunitária somaram 22,3%, enquanto mistos representaram 12,1%. A residência continuou sendo o principal local de risco, com 79,9% dos registros dentro do lar.
A reincidência também se manteve alta: 66,2% das mulheres atendidas relataram episódios anteriores de violência doméstica, com 100.867 notificações de reincidência em 2024.
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