- Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, a menor taxa da série histórica desde 2014, equivalente a 20,1 por 100 mil habitantes, com queda de 7,4% ante 2023.
- Mesmo com a queda oficial, há aumento da subnotificação, gerando um “ponto cego” estatístico por causa indeterminada (MVCI).
- Ao incluir homicídios ocultos, estimativa de 2024 sobe para 49.673 casos, uma variação de −0,3% em relação a 2023.
- Homicídios ocultos cresceram 88,6% entre 2023 e 2024 (de 3.755 para 7.083), passando de 1,8 para 3,3 por 100 mil habitantes e representando 14,3% dos homicídios estimados.
- Entre 2014 e 2024, foram registrados cerca de 55.212 homicídios ocultos, incluindo 5.019 casos por ano em média; especialistas destacam cautela na leitura dos dados.
O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, conforme o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira pelo Ipea em parceria com o FBSP. O gasto de dados oficiais aponta para 20,1 casos por 100 mil habitantes, queda de 7,4% ante 2023, a menor taxa desde 2014.
Apesar da redução, o estudo alerta para a subnotificação dos homicídios. Em algumas situações, as causas de óbito não ficam claras e os casos são classificados como MVCI (Mortes Violentas por Causa Indeterminada). Isso dificulta a leitura real do problema.
Para contornar o desafio, pesquisadores criaram um método de reclassificação de MVCI como homicídios. Ao considerar esses casos, estimativas apontam 49.673 homicídios em 2024, variação de -0,3% ante 2023.
A seguir, os números “ocultos” cresceram 88,6% entre 2023 e 2024, passando de 3.755 para 7.083 casos. A taxa estimada subiu de 1,8 para 3,3 por 100 mil habitantes, representando 14,3% dos homicídios estimados em 2024.
Entre 2014 e 2024, o conjunto de homicídios ocultos soma aproximadamente 55.212 casos, com média de 5.019 por ano. Especialistas alertam para cautela na interpretação da melhoria official perante esse cenário.
Homicídios por região e município
Os estados com as menores taxas oficiais foram São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal. As maiores ocorreram em Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará, segundo o Atlas.
Entre cidades com mais de 100 mil habitantes, 17 dos 20 municípios mais violentos ficam no Nordeste, enquanto as 20 menos violentas estão concentradas no Sul e Sudeste.
Municípios com maior taxa estimada
- Maranguape (CE) — 87,2 por 100 mil
- Jequié (BA) — 79,4 por 100 mil
- Maracanaú (CE) — 74,1 por 100 mil
- Itapipoca (CE) — 74,0 por 100 mil
- Caucaia (CE) — 72,9 por 100 mil
- Juazeiro (BA) — 71,1 por 100 mil
- Feira de Santana (BA) — 67,0 por 100 mil
- Porto Seguro (BA) — 64,6 por 100 mil
- Simões Filho (BA) — 64,0 por 100 mil
- Camaçari (BA) — 62,9 por 100 mil
As informações seguem consolidadas pelo Atlas da Violência 2026, com dados oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e bases policiais.
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