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Violência contra mulheres e raça negra cai na PB, mas permanece alta

Atlas da Violência 2026 aponta queda na Paraíba de homicídios contra mulheres e pessoas negras, mas números seguem elevados e persistem desigualdades

Portal Correio
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  • Atlas da Violência 2026 indica queda da violência contra pessoas negras e mulheres na Paraíba entre 2014 e 2024: homicídios de negros passaram de 1.342 para 925, queda de 31,1%, com taxa de 34,1 por 100 mil negros em 2024 (redução de 37,8%).
  • Na região Nordeste, a Paraíba ocupou o 5º menor número de homicídios de pessoas negras em 2024 e teve a 4ª maior redução na década.
  • Em relação às mulheres, houve queda nos homicídios na Paraíba: 71 em 2024 ante 117 em 2014, queda de 39,3%; taxa de homicídios femininos caiu de 5,9 para 3,4 por 100 mil mulheres (redução de 42%).
  • No Brasil, ocorreram 3.642 homicídios de mulheres em 2024, com 46.336 óbitos nesse tipo de crime nos últimos dez anos; a redução dos assassinatos femininos foi menor que a queda dos homicídios totais (27,7% vs. 33,4%).
  • Violência doméstica continua alta: em 2024, 293.842 mulheres foram vítimas de violência não letal; 79,9% dos casos ocorreram na residência; 64% tiveram contexto doméstico; 58,6% das vítimas de violência doméstica eram mulheres negras.

A violência contra pessoas negras e mulheres reduziu na Paraíba ao longo da última década, segundo o Atlas da Violência 2026. O relatório, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ipea, analisa dados entre 2014 e 2024 e aponta redução, ainda assim com números elevados e marcados por desigualdade.

Na prática, a Paraíba registrou queda nos homicídios de pessoas negras, de 1342 casos em 2014 para 925 em 2024, uma redução de 31,1%. A taxa caiu de 54,8 para 34,1 homicídios por 100 mil negros, queda de 37,8%. Nacionalmente, a queda foi de 30,4% no mesmo período.

No Nordeste, a Paraíba aparece como o 5º estado com menor número de homicídios de pessoas negras em 2024 e, na década, ficou entre os quatro com maior redução proporcional desses crimes. O recorte regional demonstra ganhos relativos, mas continuados nas estruturas de violência.

Violência contra mulheres

Em 2024, a Paraíba registrou 71 homicídios de mulheres, ante 117 em 2014, uma redução de 39,3%. A taxa de homicídios femininos caiu de 5,9 para 3,4 por 100 mil mulheres, queda de 42%.

Entre estados do Nordeste, a Paraíba teve a quarta maior redução proporcional nas taxas de homicídios de mulheres ao longo da década. Em nível nacional, foram 3.642 assassinatos de mulheres em 2024, representando 3,4 por 100 mil, com queda de 6,7% frente a 2023.

O Atlas aponta que, apesar da queda, os números permanecem elevados. Em 2024, o país somou 46.336 homicídios de mulheres ao longo de dez anos.

Violência doméstica e intrafamiliar

O levantamento revela aumento da violência doméstica não letal contra mulheres no Brasil. Em 2024, 293.842 mulheres foram vítimas, com a maioria dos casos ocorrendo dentro da residência, representando 79,9% das notificações.

Ainda em 2024, 64% das ocorrências tiveram contexto doméstico. Em relação a 2023, os registros de violência doméstica cresceram 6,1%. Entre os tipos com maior alta estão negligência (13,8%) e a categoria outros (13,9%).

O Atlas também evidencia concentração de vítimas entre meninas e mulheres jovens. Crianças de 0 a 9 anos respondem por 16,7% dos registros de violência, e entre 10 a 14 anos, quase metade das notificações são de violência sexual. A partir dos 15 anos, a violência física predomina em relações íntimas.

Panorama nacional

O conjunto de dados confirma que a violência letal contra mulheres não acompanhou igual queda geral dos homicídios no país. Enquanto os homicídios totais caíram 33,4% na década, os assassinatos de mulheres recuaram 27,7%, sinalizando persistência de padrões de violência de gênero.

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