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Xica Manicongo, primeira mulher trans do Brasil, ganha biografia em pajubá

Mott apresenta Xica Manicongo, mulher trans no Brasil colonial, sacerdotisa escravizada na Bahia do século XVI, em pajubá

O antropólogo e historiador Luiz Mott, autor do livro 'Xica Manicongo, Primeira Transexual do Brasil'
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  • Xica Manicongo é apontada como a primeira mulher trans do Brasil colonial, associada a uma figura religiosa escravizada na Bahia do século XVI.
  • Pesquisador Luiz Mott apresenta a biografia em seu livro “Xica Manicongo, Primeira Transexual do Brasil”, buscando conectar a personagem ao pajubá, dialeto falado por travestis e trans, em Salvador.
  • A hipótese central é de que Xica Manicongo era provávelmente uma quimbanda, sacerdotisa associada a rituais de regiões do Congo e Angola, com vestimentas e comportamentos femininos relatados por missionários europeus.
  • O nome Francisco Manicongo, registrado pelos escravizadores, serviria como identificação da personagem, que possivelmente era parente distante da realeza congolesa ou, alternativamente, poderia ter usado esse vínculo para autopromoção entre escravizados.
  • O tema ganhou notoriedade culturalmente, com o próprio Mott defendendo a ideia de que Xica Manicongo poderia ter sido uma figura histórica ligada à monarquia africana e à comunidade trans da Bahia, sem comprovação conclusiva.

A pesquisadora e ativista Luiz Mott apresenta a biografia de Xica Manicongo, considerada a primeira mulher trans do Brasil colonial, combinando história, linguística e tradição oral. A obra estreia em São Paulo, durante a Feira do Livro, e propõe entender Xica como figura complexa de uma época marcada pela escravidão e pela presença de religiões africanas.

Segundo o estudo de Mott, Xica Manicongo provavelmente era ligada à esfera quimbanda, sacerdotisas associadas a rituais no Congo e Angola. A hipótese sustenta que a personagem foi escravizada na Bahia do século XVI, possivelmente pertencente a uma linhagem africana com laços reais, embora haja espaço para diferentes leituras.

Contexto histórico

A pesquisa junta documentos em português do século XVI e italiano do século XVII para traçar a trajetória de Xica, cuja designação ganhou o uso atual a partir de ativismo contemporâneo. A narrativa liga a figura a encontros entre a Inquisição, tradições religiosas africanas e a monarquia do Congo.

Sobre o nome e a identidade

O apelido Xica surgiu no século XXI pela ação de ativistas, enquanto nos registros da época o escravizado recebia o nome Francisco Manicongo. A associação com reis congoleses batizados por Portugal desde 1485 aparece em relatos de missionários e visitas inquisitoriais.

Hipóteses de origem

Mott sustenta que Xica era possível destacamento distante da realeza congolesa, vivendo em aldeias na periferia do reino. Outra leitura sugere que a ligação com a monarquia tenha sido construída para fortalecer a posição entre escravizados na Bahia.

Rastros documentais

Relatos de missionários revelam que as quimbanda, embora biologicamente masculinas, eram criadas com traços femininos. Documentos do período descrevem vestimentas e práticas associadas a papéis de gênero ligados a rituais, o que alimenta a leitura de Xica como figura trans dentro do contexto colonial.

Contribuição de Mott

O livro, intitulado Xica Manicongo, Primeira Transexual do Brasil, enfatiza uma visão dialogada com o público trans, buscando aproximar a história de Xica da memória coletiva. A obra será apresentada em uma mesa na Feira do Livro em São Paulo.

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