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A Grande Entrevista com James Halliday

Aos 87 anos, James Halliday lança o livro-swan song “50 Years of Great Wine Dinners”, reunindo 140 jantares que moldaram cinco décadas de crítica vinícola

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  • James Halliday, aos 87 anos, lança o livro de despedida “50 Years of Great Wine Dinners”, que reúne cinco décadas de jantares e memórias.
  • O livro, com 430 páginas, lista 140 jantares dedicados aos melhores vinhos franceses, australianos e grandes nomes mundiais, entre 1970 e narrativas posteriores.
  • Halliday destaca Len Evans como mentor e parceiro, descrevendo os encontros como momentos informais em que o vinho era o foco principal.
  • Parte importante da construção da adega ocorreu via Christie’s e aquisições diretas de vinhas, chegando a cerca de 2.200 vinhos listados; no auge, possuía aproximadamente 11 mil garrafas.
  • Desde a aposentadoria em 2024, Halliday reduziu a coleção e vendeu parte do acervo, mantendo o hábito de degustar com a filha e netos e reconhecendo que perdeu parte do olfato com a idade.

James Halliday, aos 87 anos, encerra sua obra com um livro que revisita cinco décadas de vinhos e amizades. O volume 50 Years of Great Wine Dinners traz 140 encontros entre Bordeaux, Borgonha e vinhos australianos, narrados pelo mais influente crítico de vinho da Austrália.

O livro, em formato de hardback de 430 páginas, documenta jantares dedicados aos grandes vinhos desde 1970. Entre eles, rótulos de primeira linha franceses e exemplares australianos, sempre compartilhados com personalidades públicas e chefes de governo. A obra é o desfecho de uma carreira iniciada no estabelecimento Halliday Wine Companion, lançado em 1968.

Halliday aposentou-se em 2024, mas mantém viva a prática de registrar memórias sensoriais sobre vinhos. Em entrevista por e-mail, ele descreve o projeto como um registro baixo de complexidade, sem pressa, mantendo a atenção nos sabores e nas histórias por trás de cada garrafa.

A era que formou o crítico

O livro acompanha 140 jantares, revelando a Austrália de tempos diferentes. A maior parte dos vinhos é francesa, seguida pelos melhores produzidos na própria Austrália. O crítico destaca que, no fim dos anos 1960, vinhos de Bordeaux e Borgonha de grande porte eram pouco conhecidos no país.

Len Evans, mentor e amigo de Halliday, aparece como figura central. Evans ajudou a inserir o mundo dos vinhos finos na cena australiana, o que o crítico descreve como um esforço colaborativo entre eles. Os encontros ficavam a cargo de Evans, que enviava convites a um grupo de cerca de 20 participantes.

A mecânica dos encontros

Os encontros reuniam uma lista de participantes, compravam os vinhos e dividiam os custos entre os presentes. Com o tempo, o formato ficou mais sofisticado, mantendo o foco nas garrafas únicas. Halliday afirma que não houve releitura de um jantar apenas porque ele foi excelente.

A adega famosa

A busca por vinhos de alto nível exigiu recursos, incluindo aquisições via leilões e aquisição direta de produtores. O crítico chegou a manter uma das maiores adegas privadas do país, com milhares de garrafas, entre as quais várias centenas de Romanée-Conti. Parte do acervo veio de uma reserva pessoal, obtida a preços favoráveis para o grupo.

O ápice e a prática de notas

Halliday valoriza a pureza de expressão, mas reconhece imperfeições, como variações de garrafa. Mantém uma relação estreita com Romanée-Conti e Aubert de Villaine, registrando notas que aparecem na edição francesa do livro de Villaine. Ao longo dos anos, suas notas evoluíram de observações mais longas para anotações curtas, com foco na textura e na estrutura.

O crítico comenta sobre a virada de padrões de avaliação, citando a influência de Robert Parker sem descartar avanços trazidos por novas metodologias. Ele prefere notas escritas à mão, mantendo um estilo próprio e evitando dependência de registros digitais.

A precificação e o legado

Sobre o preço das garrafas citadas, Halliday admite a dificuldade de valorar em tempo real, mas destaca o caráter convidativo das seleções. Um jantar vertical de Petrus de 1980, com 20 safras entre 1919 e 1976, estimaria custo por volta de 93 mil libras hoje. Um conjunto de Burgundies de 2010, com rótulos como DRC e Rousseau, ficaria em torno de 18,7 mil libras.

A aposentadoria não tirou o ritual, apenas o tamanho. Halliday afirma continuar a beber com a filha e netos, embora admita que sua capacidade tenha diminuído. Parte de sua adega, incluindo 252 garrafas de Romanée-Conti, foi vendida em 2020; em 2025, vendeu o último lote de Burgundies selecionados.

Entre as garrafas mais lembradas, ele cita duas favoritas: uma Romanée-Conti de 1929 e uma Lafite de 1865. Sobre Bordeaux, reconhece que também há grandeza, ainda que o coração tenha a Borgonha. O crítico observa, por fim, que o olfato encolhe com a idade, mas uma bebida verdadeiramente bonita ainda consegue se impor.

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