- Beatriz Bueno, 28 anos, defende que a miscigenação é uma potência da sociedade brasileira e que pardos são descendentes de diferentes grupos, incluindo brancos.
- Em seu livro Parditude, ela busca explicar a experiência parda e propõe desassociar a identidade parda da categoria negra para ampliar a compreensão das identidades no Brasil.
- A autora afirma que movimentos progressistas teriam colocado o branco como inimigo, contribuindo para o que chama de “limbo racial” dos mestiços.
- Bueno diz ter sido expulsa da Universidade Federal Fluminense em janeiro, alegando perseguição por seu estudo sobre pardos, e aponta ataques à mensagem que apresenta.
- A obra descreve oito tipos de parditude e sustenta que o racismo brasileiro é marcado pela leitura fenotípica; Parditude é publicada pela Planeta.
Beatriz Bueno, autora de Parditude, defende que a miscigenação é uma força para a sociedade brasileira. Em entrevista, ela expõe que a visão negativa sobre miscigenação por movimentos progressistas colocou mestiços em um limbo social, entre brancos e negros, sem políticas de reparação.
Segundo a pesquisadora, a identidade parda não pode ser reduzida à categoria de negros. Ela alerta que isso dificulta a compreensão da experiência de quem afirma viver entre as duas identidades, conforme o que chama de limbo racial.
Bueno, de 28 anos, é autora do livro Parditude: Um Guia para te Resgatar do Limbo Racial (Planeta). A obra busca detalhar as especificidades da experiência parda no Brasil.
A pesquisadora afirma que pessoas mestiças vivem uma fronteira social, consideradas brancas demais para serem negras e negras demais para serem brancas. A autora lembra que, no Estatuto da Igualdade Racial, pardos são contabilizados entre os negros.
Para ela, reconhecer que pardos descendem de diferentes grupos, inclusive brancos, pode unificar identidades no Brasil. A ideia é ampliar o entendimento sobre a diversidade racial no país.
Bueno acusa desassistência pública de tratar pardos com negligência. Ela cita, como exemplo, a exclusão de pardos de políticas públicas e de espaços de debate, em especial por meio de bancas de heteroidentificação.
Em sua visão, parte do público que a acompanha não entende o que ela defende. A pesquisadora diz que há apoio e críticas sem leitura adequada do que propõe.
A autora esclarece que não defende pureza racial. Segundo ela, esse mito contribui para o preconceito contra pardos e reforça o estigma de superioridade entre raças.
A trajetória de Bueno inclui atuação como ativista antirracista e feminista. Ela também integra a comunidade da Universidade Federal Fluminense, onde iniciou mestrado em cultura e territorialidades.
RAIO-X BEATRIZ BUENO, 28
Criadora do perfil “Parditude” no Instagram, com cerca de 39 mil seguidores, ela destaca-se como pesquisadora das relações étnico-raciais. É natural de São Paulo e graduada em produção cultural pela UFF.
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