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Mauro Vieira afirma que tarifas dos EUA desconsideram a realidade brasileira

Governo brasileiro afirma que as novas tarifas dos Estados Unidos ignoram a realidade do Brasil e promete intensificar negociações com Washington

Mauro Vieira diz que EUA ignoraram argumentos do Brasil e ampliam pressão com novo tarifaço
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  • O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os Estados Unidos ignoraram os argumentos do Brasil nas investigações comerciais que resultaram em novas tarifas propostas.
  • O governo brasileiro vê motivação política na medida e promete intensificar negociações com Washington.
  • Vieira relatou a conversa com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR), em Paris, antes de uma plenária da OCDE, destacando espaço para negociação.
  • As tarifas indicadas seriam 25% por supostas práticas desleais e 12,5% por não coibir o trabalho forçado, segundo o USTR; as avaliações foram feitas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
  • O Brasil argumenta que, entre outros pontos, houve avanços no combate ao desmatamento e que o Pix é um patrimônio brasileiro, além de buscar tratar etanol e açúcar de forma integrada nas negociações.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que as propostas de novas tarifas dos EUA não levam em conta a realidade brasileira. O governo brasileiro viu motivações políticas na medida anunciada por Washington e pretende ampliar as negociações com a Casa Branca.

A declaração foi dada nesta quinta-feira, 4, de Paris, onde Vieira conversou com o representante comercial dos EUA, embaixador Jamieson Greer, pouco antes de uma sessão da OCDE. A conversa ocorreu após as recomendações do USTR de impor tarifas ao Brasil.

O governo Lula entende que o anúncio se manteve dentro de um prazo definido entre Lula e Trump para buscar solução e normalizar a relação econômica. A leitura é de que ainda há espaço para negociações, segundo o chanceler.

Contexto das investigações

A USTR recomendou tarifas de 25% por práticas desleais no comércio e 12,5% por não coibir o uso de trabalho forçado na cadeia produtiva. As medidas buscam reduzir prejuízos à competição de empresas norte-americanas, no Brasil e no exterior.

As investigações, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, podem sustentar novo tarifaço, ainda que a Suprema Corte tenha derrubado a tarifa global anterior de 10%. O governo brasileiro avalia impactos na indústria e no agro, especialmente no etanol.

Pontos abordados pelo Brasil incluem combate ao desmatamento, ao Pix como patrimônio nacional e à questão da propriedade intelectual. Vieira ressaltou avanços do país, com redução do desmatamento e metas para zerar desmatamento ilegal até 2030.

Desmatamento, etanol e energia

O chanceler destacou queda significativa do desmatamento na Amazônia e nos demais biomas, com dados de 2025 em comparação a 2022. Também citou que o Brasil manteve esforço para facilitar a fiscalização da cadeia de carne e o combate ao trabalho escravo.

Sobre o etanol, a gestão brasileira tradicionalmente vincula avaliação de tarifas às barreiras de açúcar nos EUA. O Itamaraty não confirmou posição final a ser apresentada às mesas de negociação, indicando apenas que o tema permanece em estudo.

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