- A União Europeia apresenta proposta mais sustentável para o Brasil na disputa por terras raras, priorizando processamento local e geração de empregos.
- Quatro projetos foram listados como prioritários para acelerar a cooperação, incluindo a Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (Minas Gerais).
- O projeto piloto em Poços de Caldas processa 100 kg de minério por hora e pode produzir até 2,92 kg de carbonato misto de terras raras por ano.
- A Viridis planeja investir US$ 360 milhões para uma planta comercial com capacidade de 15 mil toneladas de MREC por ano a partir de 2028; o projeto Colossus ocupa 228,62 km² de licenças.
- Há um acordo não vinculante entre Viridis e a Solvay para fornecimento de MREC e apoio tecnológico; a UE pode oferecer financiamento e mitigação de riscos, sem substituir o capital privado.
A União Europeia incluiu o Brasil entre seus parceiros estratégicos para diversificar o fornecimento de minerais críticos. O comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, afirmou à Reuters que a proposta europeia busca maior sustentabilidade e processamento local, com ganhos de valor agregado no Brasil.
No sábado, 20 de junho, ele visitou o centro de pesquisa e processamento de terras raras da Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG). A unidade é parte de quatro projetos prioritários da UE para acelerar a cooperação com o Brasil. A iminente parceria envolve o desenvolvimento de refino local de terras raras.
A Viridis mantém um projeto piloto em Minas Gerais com capacidade de processar 100 kg/h de minério e produzir até 2,92 kg/ano de MREC, pó contendo terras raras ainda não separadas. A empresa planeja investir US$ 360 milhões para uma planta comercial com 15 mil toneladas de MREC por ano a partir de 2028.
Aceleração e investimentos
Síkela ressaltou que o objetivo é criar empregos, desenvolver tecnologias e transferir conhecimento, sempre dentro de padrões ambientais, sociais e técnicos avançados. A comitiva destacou a carta de intenções não vinculante entre Viridis e a belga Solvay, firmada neste mês, que prevê fornecimento de MREC e pode evoluir para cooperação tecnológica no processamento.
O presidente-executivo da Viridis, Rafael Moreno, informou que negociações com a UE avançam e que um acordo com a Solvay pode ser fechado até o fim de julho. Segundo ele, a UE poderia oferecer financiamento e mecanismos de proteção de preços para reduzir riscos.
Contexto global
Síkela afirmou que a estratégia europeia não depende apenas da China, maior produtora, e busca reduzir dependências na cadeia global de suprimentos. Além de terras raras, há interesse em níquel e lítio, com planos para avançar em memorando de entendimento entre UE e Brasil, ainda em negociação.
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