Grandes empresas americanas enviaram cartas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alertando para os impactos negativos que o tarifaço ao Brasil pode causar. Entre os pontos citados estão a perda de competitividade, a desorganização das cadeias de suprimentos e o aumento de preços para o consumidor americano. Coca-Cola, Tesla, eBay e Nestlé […]
Grandes empresas americanas enviaram cartas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alertando para os impactos negativos que o tarifaço ao Brasil pode causar. Entre os pontos citados estão a perda de competitividade, a desorganização das cadeias de suprimentos e o aumento de preços para o consumidor americano.
Coca-Cola, Tesla, eBay e Nestlé estão entre as companhias que enviaram comentários formais ao órgão. As cartas, que foram enviadas no dia 1º de julho, pedem que o USTR preserve o acesso a insumos ou produtos vindos do Brasil.
As audiências públicas sobre o tema começaram nesta segunda-feira (6) e continuam nesta terça-feira (7), na sede da Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington. O prazo final para a decisão do governo americano é 15 de julho.
O encontro trata de duas frentes. A primeira envolve práticas comerciais brasileiras consideradas irregulares pelo governo americano, como comércio digital, tarifas preferenciais, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento. A segunda é uma investigação separada sobre países que importariam produtos feitos com trabalho escravo, entre eles o Brasil.
Os Estados Unidos podem impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros como resultado da primeira investigação. Essa tarifa de 25% pode ainda se somar a um adicional de 12,5% discutido na investigação sobre trabalho escravo.
Se as duas forem aprovadas, a taxação acumulada sobre produtos brasileiros pode chegar a 37,5%. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a medida atingiria 4.187 produtos, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações.
O que dizem as empresas
Veja os principais pontos levantados por cada uma das companhias em suas cartas ao USTR.
Coca-Cola
A Coca-Cola pediu ao USTR que preserve a isenção já prevista para insumos de laranja de origem brasileira e que estenda um benefício semelhante para o limão. A empresa argumenta que a produção de laranja da Flórida caiu de 242 milhões de caixas em 2003/04 para cerca de 12 milhões em 2025/26.
Segundo a companhia, o Brasil se tornou uma fonte suplementar essencial para a produção de suco nos EUA, e trocar de fornecedor não é imediato, uma vez que exige testes de segurança alimentar e validação de qualidade. A Coca-Cola também pediu prazos de transição e mecanismos de revisão para tornar a medida mais administrável.
Tesla
Segundo a Tesla, setores de manufatura avançada nos EUA, como veículos elétricos, robótica e energia solar, ainda dependem de peças e componentes vindos do Brasil. A empresa pediu que o USTR leve isso em conta ao definir as tarifas.
A montadora argumenta que, apesar de ter investido bilhões em produção doméstica, essa transição leva tempo. Por isso, pediu que os insumos brasileiros considerados críticos sejam incluídos na lista de exceções, para não prejudicar a competitividade da indústria americana.
eBay
O eBay pediu que produtos usados, seminovos e de segunda mão fiquem de fora de qualquer tarifa imposta ao Brasil. A empresa argumenta que taxar esse mercado não ajudaria a resolver as práticas investigadas, já que o fabricante original do produto já foi pago no momento da primeira venda.
A companhia também alertou que a tarifa pode ter efeito contrário ao pretendido. Consumidores sensíveis a preço poderiam migrar de produtos usados para produtos novos importados do Brasil, aumentando, em vez de reduzir, a demanda pelas práticas que a investigação busca combater.
Nestlé
A Nestlé destacou que os EUA são seu maior mercado global, com mais de 36 mil funcionários e 95% dos produtos vendidos no país fabricados localmente. Ainda assim, a empresa depende de matérias-primas globais não produzidas em escala suficiente nos EUA, como café, cacau e colágeno bovino.
A companhia pediu a ampliação da lista de exceções para incluir café solúvel sem sabor e colágeno bovino, do qual o Brasil é o maior exportador mundial, argumentando que ambos os insumos atendem aos critérios já usados pelo USTR para conceder isenções.
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