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Mulheres são mais vítimas de feminicídio por parceiros do que homens

Advogada é acusada de distorcer dados sobre homicídios e criar falsa equivalência entre mortes de homens e feminicídios.

Advogada dos homens distorce dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 (Foto: Arte/UOL sobre Reprodução Facebook)
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  • A advogada Jamily Wenceslau foi acusada de distorcer dados sobre homicídios no Brasil, afirmando que mais homens são assassinados por parceiras do que mulheres por parceiros.
  • A declaração gerou controvérsia e foi checada pelo UOL Confere.
  • Wenceslau citou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para sustentar sua tese, afirmando que em 2024 o Brasil registrou 46.328 mortes violentas intencionais, com 99,3% das vítimas sendo homens.
  • No entanto, o percentual correto é de 90,2%, e o número de homicídios de homens em 2023 foi de aproximadamente 42 mil.
  • O Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacou que os homicídios de homens ocorrem em contextos urbanos e relacionados a disputas criminais, enquanto os feminicídios são frequentemente cometidos por parceiros íntimos.

A advogada Jamily Wenceslau foi acusada de distorcer dados sobre homicídios no Brasil, afirmando que mais homens são assassinados por suas parceiras do que mulheres por seus parceiros. A declaração, feita em um vídeo, gerou controvérsia e foi alvo de checagem pelo UOL Confere.

Wenceslau citou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e o Ipea para sustentar sua tese. Ela afirmou que, em 2024, o Brasil registrou 46.328 mortes violentas intencionais, das quais 99,3% eram homens. A advogada alegou que 6% desses homicídios foram cometidos por parceiras, resultando em cerca de 2.760 homens mortos por suas companheiras. Em comparação, os feminicídios íntimos totalizaram 1.340.

Entretanto, a informação de que 99,3% das vítimas de homicídio eram homens foi contestada. O percentual correto é de 90,2%, segundo o Anuário de 2024. Além disso, o número de homens assassinados em 2023 foi de aproximadamente 42 mil, e não 46 mil como afirmado. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacou que os dados apresentados pela advogada distorcem a realidade e criam uma falsa equivalência com o feminicídio, que é um crime de ódio baseado em gênero.

Dados e Contexto

O Fórum também ressaltou que os homicídios de homens ocorrem majoritariamente em contextos urbanos e relacionados a disputas criminais, enquanto os feminicídios são frequentemente perpetrados por parceiros íntimos. A ONU Mulheres informou que, globalmente, 60% dos feminicídios são cometidos por parceiros ou familiares, evidenciando a gravidade da violência de gênero.

A advogada, que se posiciona como defensora dos direitos dos homens, já havia sido alvo de checagens anteriores por declarações falsas sobre a Lei Maria da Penha. Após a repercussão, o vídeo com suas declarações foi retirado das redes sociais. A desinformação sobre a violência de gênero no Brasil continua a ser um tema delicado e relevante, especialmente em um contexto onde os feminicídios têm aumentado ano após ano.

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