- A disputa pela repatriação do corpo do ex-presidente da Zâmbia, Edgar Lungu, se intensificou com a família dele tentando impedir a presença do atual presidente, Hakainde Hichilema, no funeral.
- Lungu faleceu em junho de 2023, na África do Sul, e a família alega que ele não desejava Hichilema presente na cerimônia.
- O caso está em apelação na África do Sul, após um juiz interromper o funeral em Joanesburgo, onde os mourners já estavam presentes.
- O procurador-geral da Zâmbia, Mulilo Kabesha, argumentou que um funeral de Estado com honras militares é um requisito legal.
- A situação reflete a rivalidade política entre Lungu e Hichilema, que se intensificou desde a eleição de 2016 e a prisão de Hichilema em 2017.
A disputa pela repatriação do corpo do ex-presidente da Zâmbia, Edgar Lungu, ganhou novos contornos, com sua família buscando impedir que o atual presidente, Hakainde Hichilema, presida o funeral. Lungu faleceu em junho de 2023, na África do Sul, e a situação se complicou com um pedido judicial para barrar a repatriação do corpo, alegando que ele não desejava a presença de Hichilema em sua cerimônia.
O caso está em apelação na África do Sul, após um juiz ter interrompido o funeral em Joanesburgo, onde os mourners já se encontravam. A decisão foi tomada após um pedido do procurador-geral da Zâmbia, Mulilo Kabesha, que argumentou que um funeral de Estado com honras militares era um requisito legal. Em resposta, a família de Lungu expressou sua indignação em tribunal, afirmando que o ex-presidente havia solicitado explicitamente a ausência de Hichilema.
Conflito Político
A disputa em torno do funeral reflete a rivalidade política que se intensificou desde a eleição de 2016, quando Lungu derrotou Hichilema em uma votação contestada. A tensão aumentou ainda mais após a prisão de Hichilema em 2017, quando ele foi acusado de traição, mas posteriormente liberado. Desde então, Hichilema assumiu a presidência em 2021, em meio a uma crise econômica, e enfrenta críticas por métodos considerados opressivos.
O contexto atual também alimenta especulações e teorias da conspiração, incluindo rumores sobre a morte de Lungu e alegações de que Hichilema poderia ter intenções ocultas em relação ao corpo. Sishuwa Sishuwa, historiador político, observa que a disputa sobre o local de sepultamento de Lungu exacerba a polarização política na Zâmbia, com implicações significativas para as eleições de 2026.
Repercussões Sociais
A situação gerou reações variadas entre os zambianos, com alguns fazendo piadas nas redes sociais sobre o desenrolar do caso. Emmanuel Mwamba, porta-voz do partido Patriotic Front, criticou a abordagem do governo, afirmando que faltou empatia e humanidade no processo. Ele destacou que um funeral de Estado pode ocorrer sem a presença do presidente, enfatizando a importância dos protocolos militares.
Enquanto o tribunal sul-africano decide sobre o apelo da família de Lungu, a situação continua a ser um ponto focal de tensão política e social na Zâmbia, refletindo as divisões que persistem desde a era de Lungu no poder.
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