- A pesquisa da professora de ciência política do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Mariya Grinberg, mostra que países em guerra frequentemente mantêm relações comerciais.
- O livro de Grinberg, “Trade in War: Economic Cooperation Across Enemy Lines”, explora como hostilidades não impedem o comércio.
- Exemplos históricos incluem a Grã-Bretanha importando corantes da Alemanha durante as Guerras Mundiais e o comércio entre Índia e Paquistão durante a Primeira Guerra da Caxemira.
- Grinberg destaca que líderes estatais avaliam os benefícios econômicos e militares do comércio, considerando o impacto em suas economias.
- A pesquisa sugere que a adoção dos direitos neutros, formalizados na Declaração de Paris de mil oitocentos e cinquenta e seis, facilitou o comércio entre países em conflito.
A pesquisa da professora de ciência política do MIT, Mariya Grinberg, revela que países em guerra frequentemente mantêm relações comerciais, desafiando a ideia de que hostilidades impedem o comércio. Seu livro, “Trade in War: Economic Cooperation Across Enemy Lines”, lançado recentemente, explora essa dinâmica.
Historicamente, exemplos de comércio entre inimigos são comuns. Durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, a Grã-Bretanha importou corantes da Alemanha, mesmo sob bombardeios. Similarmente, Índia e Paquistão realizaram trocas comerciais durante conflitos, como a Primeira Guerra da Caxemira. Grinberg afirma que os líderes estatais calculam os benefícios econômicos e militares do comércio, considerando o impacto em suas economias e a utilidade dos produtos para os adversários.
A pesquisa de Grinberg, que começou durante seu doutorado na Universidade de Chicago, mostra que o comércio em tempos de guerra é uma questão de trade-offs entre benefícios militares e custos econômicos. Cortar o comércio pode privar o inimigo de produtos que aumentam suas capacidades militares, mas também prejudica a economia do próprio país. Assim, muitos estados optam por negociar com seus oponentes.
O Papel dos Direitos Neutros
A análise de Grinberg destaca que o comércio em tempos de guerra se intensificou após a adoção dos direitos neutros, formalizados na Declaração de Paris de 1856. Esses direitos permitiram que mercadorias fossem enviadas por intermediários, facilitando o comércio entre países em conflito. Grinberg observa que a percepção de que não se deve negociar com inimigos é uma ideia ultrapassada.
Os estados frequentemente erram ao prever a duração dos conflitos. Grinberg enfatiza que as previsões sobre a duração das guerras são geralmente imprecisas, o que leva a decisões comerciais inesperadas. Por exemplo, em 1917, a Alemanha começou a exportar corantes para a Grã-Bretanha, acreditando que a guerra terminaria rapidamente.
Implicações para Relações Internacionais
O trabalho de Grinberg tem implicações significativas para a teoria das relações internacionais. Ela argumenta que relações comerciais não garantem a paz e que a compreensão das dinâmicas de comércio em tempos de guerra pode ajudar a desenvolver novas estratégias para prevenir conflitos. A pesquisa também sugere que estados devem reavaliar suas suposições sobre a duração e a natureza das guerras, promovendo um entendimento mais profundo sobre as relações econômicas entre países em conflito.
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