- O promotor de Justiça Lincoln Gakiya alertou sobre a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na política brasileira, com foco nas eleições de 2024.
- Gakiya afirmou que a facção tem financiado campanhas de candidatos a vereador e prefeito em São Paulo, o que pode afetar também as eleições estaduais e nacionais.
- Relatórios de inteligência identificaram vários candidatos com vínculos ao PCC, que busca controle local por meio de cargos que garantam acesso a contratos públicos.
- O promotor defendeu a criação de uma legislação específica contra organizações mafiosas e mencionou um anteprojeto de lei para fortalecer o combate ao crime organizado.
- Gakiya destacou a importância de uma atuação coordenada entre órgãos do Estado e a necessidade de operações multiagência para enfrentar o avanço do PCC.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya alertou sobre a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na política brasileira, especialmente nas eleições de 2024. Em entrevista ao programa “Roda Viva”, Gakiya destacou que a facção tem financiado campanhas de vereadores e candidatos a prefeito em São Paulo, o que pode contaminar também as eleições estaduais e nacionais.
Gakiya mencionou que relatórios de inteligência identificaram dezenas de candidatos com vínculos ao PCC concorrendo nas próximas eleições municipais. A facção, segundo ele, não busca apenas grandes cargos no Legislativo, mas sim o controle local através de posições que garantam acesso a contratos e serviços públicos. “Eleger vereadores e prefeitos permite que a facção participe dos negócios na região de atuação de cada criminoso,” afirmou.
O promotor expressou preocupação com a possibilidade de que as próximas eleições, incluindo as para governador e presidente, sejam influenciadas por recursos do crime organizado. Ele enfatizou a necessidade de os partidos reforçarem a vigilância sobre a origem dos financiamentos de campanha. Gakiya citou a operação Fim de Linha, que revelou a captura de empresas de transporte coletivo em São Paulo, como um exemplo da gravidade da situação.
Propostas de Combate
Gakiya defendeu a criação de uma legislação específica contra organizações mafiosas, destacando sua participação na elaboração de um anteprojeto de lei que visa fortalecer o combate ao crime organizado. Ele classificou como “organização criminosa qualificada” toda atuação que envolva influência direta sobre processos políticos. O pacote de segurança do Ministério da Justiça propõe a criação de penas de até 20 anos para essas organizações.
O promotor também ressaltou a importância de uma atuação coordenada entre diferentes órgãos do Estado para enfrentar o avanço do PCC. Ele defendeu a implementação de operações multiagência, que já mostraram resultados positivos em ações anteriores. “É isso que está faltando nesse país,” concluiu Gakiya, reforçando a urgência de uma resposta eficaz ao crime organizado.
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