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Apreensão de fuzis e metralhadoras aumenta no Sudeste, aponta pesquisa recente

A apreensão de armas de estilo militar no Rio de Janeiro representa mais de 10% do total, enquanto o Espírito Santo enfrenta um aumento alarmante de 467%

Peças e manual de fuzil à esquerda, e munições à direita, encontrados em Santa Bárbara D'Oeste e São Roque, respectivamente (Foto: Reprodução)
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  • O tráfico de armas de estilo militar no Sudeste do Brasil aumentou 11,4% entre 2019 e 2023, segundo estudo do Instituto Sou da Paz.
  • O Rio de Janeiro teve um crescimento de 32% nas apreensões, enquanto o Espírito Santo registrou um aumento de 467%.
  • O estudo analisou cerca de 7 mil armas, incluindo fuzis e submetralhadoras, com calibres comuns entre forças de segurança.
  • Em 2023, o Rio de Janeiro apreendeu 847 armas de estilo militar, representando mais de 10% do total de apreensões no estado.
  • A flexibilização da legislação de armas e a descoberta de fábricas clandestinas têm contribuído para o aumento da violência urbana e da capacidade de fogo das facções criminosas.

Na região Sudeste do Brasil, o tráfico de armas de estilo militar tem crescido de forma alarmante. Um estudo do Instituto Sou da Paz, publicado em uma revista da London School of Economics, revela que as apreensões desse tipo de armamento aumentaram 11,4% entre 2019 e 2023. O Rio de Janeiro se destaca com um crescimento de 32%, enquanto o Espírito Santo apresenta um impressionante aumento de 467%.

O levantamento, intitulado “Blind Fire: The Rise of Military-Style Firearms amid Regulatory Failures and Data Deficiency in Brazil”, analisou cerca de 7 mil armas apreendidas, incluindo fuzis e submetralhadoras. Os calibres mais comuns, como 5.56x45mm e 7.62x51mm, são frequentemente utilizados por forças de segurança e estão disponíveis para civis, o que facilita seu desvio para o crime organizado.

A Realidade do Crime Organizado

O estudo destaca que o Rio de Janeiro, com 847 armas de estilo militar apreendidas em 2023, enfrenta uma situação crítica. Mais de 10% das apreensões no estado são desse tipo. No Espírito Santo, o problema se agrava com a presença de armas artesanais, conhecidas como “ghost guns”, que são fabricadas sem numeração e dificultam a rastreabilidade.

A descoberta de uma fábrica clandestina de armas em Campinas, São Paulo, ilustra a evolução do crime organizado. A produção local de fuzis AR-15 e armas sem numeração representa uma autossuficiência das facções, que não dependem mais apenas do contrabando internacional. Essa mudança intensifica a violência urbana e a capacidade de fogo das organizações criminosas.

Desafios e Respostas do Estado

A flexibilização da legislação de armas no Brasil, especialmente durante o governo Bolsonaro, contribuiu para o aumento do acesso a armamentos. Entre 2019 e 2022, mais de 30 decretos facilitaram a aquisição de fuzis, permitindo que criminosos utilizassem “laranjas” para obter armas legalmente.

Apesar do aumento nas apreensões, que atingiram o maior número desde 2007, apenas 2% do arsenal ilegal é efetivamente interceptado. A resposta do Estado tem sido a militarização do policiamento, mas especialistas alertam que é necessário um combate mais estratégico e eficaz à produção clandestina de armas.

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