- O TCU decidiu realizar uma inspeção no Banco Central para apurar falhas na liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro.
- Após forte pressão de ministros do TCU, do STF, do presidente do BC e do governo, o relator Jhonatan de Jesus recuou e paralisou o processo.
- A discussão envolve a competência do TCU para revisar decisões do BC; especialistas dizem que o órgão pode fiscalizar legalidade, e não o mérito regulatório.
- Analistas e o STF destacam a autonomia do Banco Central como autarquia independente, sob supervisão de normas do Conselho Monetário Nacional, não de revisões administrativas do TCU.
- O caso também envolve alegações de conflitos de interesse e pressões políticas ligadas ao Master, com impactos potenciais sobre a credibilidade regulatória e o mercado.
O Tribunal de Contas da União (TCU) informou que abriria uma inspeção no Banco Central (BC) para apurar falhas na liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro. A decisão gerou críticas sobre a atuação do TCU perante o BC e o mercado.
A medida, anunciada após pressão de integrantes do TCU, do STF e do governo, visava avaliar governança, tratamentos de mercado e justificativas da liquidação. O objetivo era esclarecer possíveis excessos no processo.
O relator do caso, ministro Jhonatan de Jesus, recuou e paralisou a inspeção nesta quarta-feira, 7 de dezembro, suspendendo o procedimento iniciado na segunda-feira, 5. A suspensão acompanha a pressão interna e externa sobre o TCU.
Reviravolta e pressões institucionais
A mudança de postura ocorreu após mobilização de ministros da própria Corte e de autoridades do BC, lideradas pelo presidente Gabriel Galípolo, além de membros do governo Lula. Houve relatos de reação do STF sobre a possível extrapolação de competências do TCU.
Analistas afirmam que a autonomia do BC estaria sendo colocada em risco, pois o TCU poderia interpretar ações regulatórias como objeto de fiscalização de mérito. A atuação do TCU, segundo eles, deveria limitar-se à legalidade, não ao mérito regulatório.
Vera Chemim, professora de Direito Constitucional, sustenta que o TCU não tem competência para fiscalizar o BC, que é autarquia independente. Ela afirma que o BC atua conforme normas do CMN e que ingerência externa viola a Constituição.
Aspectos jurídicos e atuação institucional
Especialistas apontam que o arcabouço legal define o TCU como órgão de auxílio ao Congresso, com atuação na legalidade e economicidade, não no mérito de decisões técnicas do BC. O STF já afirmou que o regulador independente não pode ter suas decisões substituídas pelo TCU.
Advogados consultados destacam que o TCU, ao mirar decisões do BC, atuaria fora de suas atribuições constitucionais. Em nota, o IASP criticou a extrapolação de competências no caso Master, citando a liquidação como competência técnica do BC.
Contexto do Master e riscos ao sistema financeiro
A liquidação do Master envolve alegações de irregularidades no manejo de recursos e governança. Documentos oficiais apontavam alertas e medidas prudenciais adotadas pelo BC diante da crise. Entidades do mercado defenderam a independência do BC.
Relatórios preliminares do TCU indicavam que auditores deveriam coletar documentos, informações e avaliar a proporcionalidade das medidas tomadas pelo BC durante a crise. O BC pediu intervenção do Ministério Público para analisar a decisão.
A tensão aumentou ao redor do caso, com investigações envolvendo autoridades públicas, possíveis contratos com escritórios ligados a familiares de ministros do STF e controvérsias sobre eventuais conflitos de interesse.
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