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Polícia Federal confirma autoria de Tiradentes em livro raro

Perícia da Polícia Federal confirma autoria de Tiradentes em anotações do Livro de Tiradentes, ampliando o papel intelectual do herói na Inconfidência Mineira

Anotações no "Livro de Tiradentes" são mesmo do herói da Inconfidência, diz Polícia Federal - (crédito: Museu da Inconfidência / Ibram / Divulgação)
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  • A Polícia Federal, em laudo divulgado pelo Museu da Inconfidência, confirma que as anotações no chamado “Livro de Tiradentes” são de autoria de Joaquim José da Silva Xavier.
  • O exemplar, parte do acervo do Arquivo Histórico do museu em Ouro Preto, está ligado à obra Recueil des loix constitutives des colonies angloises… (Paris, 1778).
  • O livro chegou a Minas em 1788 por ex-alunos da Universidade de Coimbra; Tiradentes teria entregue o volume a Francisco Xavier Machado antes de sua prisão, em 10 de maio de 1789.
  • A perícia indica que Tiradentes foi leitor ativo, intervindo no texto e relacionando-se a ideias políticas internacionais em circulação no Atlântico.
  • A descoberta amplia a compreensão da Inconfidência Mineira e reforça a importância do exemplar no acervo do museu, fortalecendo ações de pesquisa e divulgação histórica.

O Departamento de Perícia da Polícia Federal confirmou, nesta terça-feira (21/4), que as anotações presentes no conhecido “Livro de Tiradentes” são de autoria de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A conclusão foi apresentada pelo Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG), com base no laudo pericial.

O exemplar é parte do acervo do Arquivo Histórico do Museu e remonta ao período da Inconfidência Mineira (1788-1789). A obra citada é o Recueil des lois constitutives des colonies angloises, confederadas sob a denominação de Estados Unidos da América setentrional, publicada pela primeira vez em Paris em 1778.

A perícia aponta que as anotações não eram apenas indicativas, mas inteiramente manuscritas pelo líder histórico. O laudo reforça que Tiradentes teve contato direto com o texto e fez intervenções no conteúdo, evidenciando participação intelectual no movimento.

O diretor do museu ressalta que a descoberta amplia a compreensão sobre a atuação de Tiradentes, deslocando a imagem de apenas um mártir para a de um participante ativo de debates políticos da época. O documento passa a ter valor de evidência histórica direta.

O livro foi trazido a Minas Gerais em 1788 por ex-alunos da Universidade de Coimbra, e ficou sob guarda do Arquivo Histórico do Museu da Inconfidência após retornar a Ouro Preto, em 1984, em acordo entre Minas e Santa Catarina.

Segundo o museu, a confirmação da autoria materializa a relação de Tiradentes com textos políticos e ideias de alcance internacional, situando-o no circuito atlântico de leitura do século XVIII. A instituição planeja ampliar pesquisas e difusão sobre o volume.

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