- Decisão do STF autorizou a 6ª fase da operação Compliance Zero e reproduz diálogos atribuídos a Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, sobre pagamentos ao grupo investigado pela PF.
- A PF o acusa de atuar como demandante, beneficiário e operador financeiro do grupo conhecido como “A Turma”, ligado a intimidações, monitoramento ilegal e obtenção de dados sigilosos.
- Trechos citam pagamentos de até 800 mil para manter a estrutura, com menções a repasses de 400 mil; a investigação afirma que os valores são compatíveis com pagamentos mensais.
- A Turma seria integrada por policiais federais, pessoas ligadas ao jogo do bicho, hackers e demais colaboradores; Os Meninos seria núcleo de ataques cibernéticos sob investigação.
- A prisão de Henrique Vorcaro e de outros investigados ocorreu nesta quinta-feira; PF aponta suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos e violação de sigilo funcional.
Na decisão do ministro do STF André Mendonça, a 6ª fase da operação Compliance Zero foi autorizada para desmembrar o caso envolvendo Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Os diálogos atribuídos mostram cobrança de pagamentos a um grupo investigado pela PF.
A investigação aponta Henrique como demandante, beneficiário e operador financeiro de uma organização identificada como A Turma, alvo da ação policial. A PF compara as práticas do grupo a intimidações, monitoramento ilegal e obtenção de dados sigilosos.
A ação desta quinta-feira resultou na prisão de Henrique Vorcaro e de outros investigados ligados aos núcleos A Turma e Os Meninos, especializados em ataques cibernéticos. Outros alvos tiveram medidas de prisão preventiva pedidas pela PF.
O que é investigado
Os investigadores apuram organização criminosa dedicada a preservar interesses ligados ao caso Banco Master. O núcleo A Turma envolve policiais federais ativos e aposentados, além de operadores do jogo do bicho e hackers, usados para monitoramento e pagamentos.
Já Os Meninos atua em ataques cibernéticos, derrubada de perfis e invasões digitais, conforme apuração da PF. O grupo seria coordenado para proteger o núcleo central da organização. A PF também investiga repasses de informações sigilosas obtidas pelo sistema e-Pol.
Prisões e alvos
A PF pediu prisão preventiva para sete investigados, entre eles Henrique Moura Vorcaro, considerado o principal articulador financeiro, e indivíduos ligados ao núcleo hacker e ao monitoramento telemático. Entre os que podem receber medidas cautelares estão delegados e agentes da PF.
A lista de alvos inclui também pessoas ligadas a operações de ocultação financeira e repasses de dados. A defesa da família Vorcaro não se manifestou até o momento. A reportagem não localizou os demais investigados para comentários.
Contexto institucional
Segundo a PF, a Multipar, presidida por Henrique Vorcaro, movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025, em contas associadas a Daniel Vorcaro. A investigação descreve um esquema estruturado para manter atividades da organização criminosa, com uso de diversas frentes e recursos.
A operação visa esclarecer fatos de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e violação de sigilo funcional, com apuração de participação de policiais federais e de funcionários públicos. O andamento do caso segue sob sigilo judicial.
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