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Transparência excessiva gera mais suspeita do que confiança

Obsessão pela transparência gera suspeita, não confiança, diz Hamilton dos Santos ao distinguir transparência institucional de fetiche moral

O autor de 'Contra a Transparência', Hamilton dos Santos: 'Quanto mais transparência se exige, mais performances de transparência se produzem.' (Foto: Acervo pessoal/Reprodução)
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  • Hamilton dos Santos lançou o livro Contra a Transparência, criticando a ideia de transparência como valor absoluto e seus efeitos sobre a confiança na sociedade.
  • O autor distingue transparência institucional, necessária à democracia, da transparência como dogma moral, que pode gerar desconfiança e vigilância excessiva.
  • Segundo ele, a obsessão por transparência pode transformar relações humanas e instituições em foco de julgamentos constantes, dificultando compreensão e cooperação.
  • As redes sociais são apontadas como exemplo central: aumentam a hiperexposição, confundem visibilidade com verdade e exigem limites de opacidade para manter certos processos jornalísticos e governamentais.
  • O livro defende que a credibilidade pública depende de uma combinação entre saber e não saber, enfatizando a importância de reputação, responsabilidade e mediações institucionais ao longo do tempo.

O jornalista e doutor em filosofia Hamilton dos Santos lança o livro Contra a Transparência pela editora Iluminuras. O autor questiona a ideia de transparência como valor absoluto em uma sociedade marcada por corrupção e exposição constante.

O ensaio não rejeita a transparência como conceito institucional, mas aponta o risco de tratá-la como panaceia. Segundo Santos, a obsessão pela visibilidade pode minar a confiança entre pessoas e instituições.

A obra, que já circula entre estudiosos, parte de bases da física e da ética para defender uma leitura pragmática da transparência. O foco está em descobrir onde a opacidade forma a base de vínculos confiáveis.

O que o livro propõe

Santos afirma que a transparência absoluta é impossível mesmo na natureza. Ele argumenta que a confiança depende de saber e não saber em equilíbrio, evitando a ilusão de que tudo pode estar à mostra o tempo todo.

O autor ressalta que a transparência institucional é essencial, mas distingue da transparência como fetiche moral. Ele cita a necessidade de proteger fontes e manter certos sigilos para a prática jornalística.

A crítica não indaga apenas políticas públicas, mas também a cultura das redes sociais. Para o autor, a hiperexposição transforma informações em performances, reduzindo a compreensão a julgamentos rápidos.

Redes, plataformas e identidade pública

De acordo com o livro, plataformas digitais elevam a visibilidade a um imperativo permanente. Indivíduos, empresas e governos enfrentam pressão para expor tudo, o que nem sempre traz clareza.

Santos compara a ideia de transparência com o conceito de refração na física: há sempre algum grau de opacidade. Quando esse limite se dissolve, aparecem suspeitas generalizadas e julgamentos morais mais ácidos.

Implicações para a imprensa e a política

O autor destaca que a imprensa enfrenta uma crise de confiança, agravada pela cultura de desconfiança online. Ele defende que a mediação institucional continua essencial para a qualidade do debate público.

Sobre casos de corrupção e condutasQuestionadoras, o livro faz a distinção entre transparência republicana, necessária à democracia, e a chamada transparência performática, que pode se tornar espetáculo.

Possíveis caminhos

Santos não oferece receitas, mas sugere uma visão mais madura da vida pública. O objetivo é reconstruir a credibilidade por meio da reputação, da responsabilidade e da credibilidade institucional adquiridas ao longo do tempo.

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