O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu na terça-feira (9) o julgamento sobre a validade da divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República realizada pela AtlasIntel. A decisão teve início após pedido de vista da ministra Estela Aranha, que poderá adiar o veredito.
Até o momento, o placar está 1 a 0 pela suspensão da pesquisa, e não há data definida para a retomada do julgamento. A decisão envolve questionamentos sobre a neutralidade metodológica do levantamento.
Na véspera, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, já havia determinado a suspensão da divulgação da pesquisa, argumentando que o levantamento pode ter induzido respostas dos eleitores. A AtlasIntel divulgou o levantamento em 19 de maio, momento em que apontou queda de cinco pontos na intenção de voto de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, após a divulgação de uma conversa do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O caso envolve também o histórico relacionado ao episódio conhecido como caso Master, com o PL apresentando questões sobre perguntas do questionário e sobre a divulgação de áudio atribuído a Flávio Bolsonaro. A decisão de Kassio determinou que a pesquisa não poderia permanecer publicada nos canais oficiais da empresa, nem ser republicada ou impulsionada nas redes.
Durante o plenário, o relator manteve a posição de que há elementos capazes de comprometer a neutralidade do estudo. Em seu voto, Kassio mencionou a possibilidade de que a sequência de perguntas tenha extrapolado a simples mensuração neutra da opinião pública, incluindo estímulos narrativos que poderiam influenciar respostas.
Defesas
O advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra, representante da AtlasIntel, alegou que o PL não apontou violação às regras de pesquisas eleitorais, afirmando que a suposta prejudicialidade a Flávio Bolsonaro seria uma questão de metodologia envolvendo a relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master.
A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que atuou pela defesa do PL, afirmou que o interesse é por pesquisas íntegras e apartidárias. Ela sustentou que o problema central seria a ausência da íntegra do questionário, incluindo o vídeo utilizado no interview, que não foi anexado nem transcrito.
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