O uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, deixa de ser uma opção recreativa e passa a ser tema de saúde pública no Brasil. Aromas como baunilha, morango ou menta atraem jovens e adolescentes, que podem experimentar coqueteis de mais de 2.000 substâncias tóxicas. O alerta vem de especialistas e dados oficiais.
A doença associada ao vape é a bronquiolite obliterante, popularmente chamada de pulmão de pipoca. Ela atinge os bronquíolos, vias aéreas menores, causando inflamação intensa e obstrução permanente, com risco de insuficiência respiratória e, em casos graves, óbito. O dano é rápido, segundo médicos.
Dados da PeNSE, recebidos pelo IBGE, indicam que 29,6% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico. O índice representa quase o dobro de 2019, apontando avanço entre adolescentes e contraste com redução do tabagismo tradicional.
Para a pneumologista Elnara Márcia Negri, do Hospital Sírio-Libanês, o vape não é opção mais segura. Ela afirma que lesões podem ocorrer em poucos meses, enquanto o cigarro tradicional demora anos. O líquido de vape costuma conter diacetil, ligado à fibrose dos bronquíolos.
O diacetil, presente em aromatizantes usados na fabricação de pipoca, está entre os componentes liberados pelos líquidos de vape. A inflamação resultante pode destruir o revestimento das vias aéreas, levando a obstrução irreversível, segundo a médica.
Especialistas destacam que dispositivos eletrônicos podem liberar mais de 2 mil substâncias químicas, incluindo metais pesados como níquel, chumbo e zinco, além de formas de formaldeído e nicotina. A combinação de nicotina com sabores atraentes facilita a dependência.
A dependência apresentada pelo sal de nicotina do cigarro eletrônico pode ser até 10 vezes mais rápida que a do tradicional, segundo a especialista. O uso entre jovens é particularmente preocupante por afetar desenvolvimento cerebral, atenção, sono e saúde mental.
Os primeiros sinais costumam ser sutis: tosse persistente, chiado no peito e falta de ar ao esforço. Em estágios iniciais, alguns danos podem ser revertidos, mas diagnóstico tardio aumenta o risco de sequelas permanentes e, em longo prazo, de cânceres respiratórios e da via urinária.
Para Elnara, a reversão do cenário depende de informação e diálogo entre famílias e escolas. Pais devem dialogar com os filhos e procurar orientação médica precocemente. O acesso a tratamento adequado é essencial para reduzir impactos no desenvolvimento.
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