Debaixo das águas do Mediterrâneo, uma antiga cidade portuária do Egito voltou a revelar riquezas e rituais. Em Thonis-Heracleion, mergulhadores encontraram um santuário de Afrodite, tesouros ligados ao Templo de Amon e estruturas preservadas por mais de 1.200 anos submersas. A descoberta ocorreu durante escavações de 2023, divulgadas pelo IEASM, sob coordenação do arqueólogo marinho Franck Goddio, em parceria com o Departamento de Arqueologia Subaquática do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.
Os trabalhos concentraram-se no canal sul da cidade e na área do Templo de Amon. Abaixo da estrutura, foram identificadas vigas e postes de madeira datados pelo radiocarbono e pela dendrocronologia do século V a.C., revelando a fundação do edifício e indicando uma arquitetura de época antiga preservada pela água salgada.
Entre os achados, destacam-se instrumentos rituais de prata, joias de ouro, incluindo brincos com cabeça de leão e um olho udjat, recipientes de alabastro para perfumes e substâncias ritualizadas, além de uma alça votiva de pedra calcária e um versador em bronze com formato de pato. Tais itens apontam para práticas religiosas ligadas ao poder dos faraós.
Ao leste do Templo de Amon, surgiu um santuário grego dedicado a Afrodite, com objetos de bronze, cerâmica importada da Grécia e armas gregas antigas. Esses elementos indicam a presença de comerciantes e comunidades helênicas em Thonis-Heracleion durante a Era Saíta, revelando uma cidade que promovia intercâmbio entre tradições egípcias, gregas e rituais locais.
O que isso indica sobre Thonis-Heracleion
O conjunto de descobertas amplia a leitura da cidade como ponte entre o Egito e o Mediterrâneo. Além do comércio, a presença de Afrodite sugere encontros entre culturas e cultos diversos, coexistindo no mesmo espaço portuário.
A Baía de Aboukir preserva ruínas urbanas de um porto que desapareceu no mar, ajudando a reconstruir a geografia de Thonis-Heracleion. Estudos apontam que a cidade funcionava como ponto de encontro entre tradições religiosas, rotas mercantis e comunidades de origens distintas.
O contexto histórico reforça a leitura de Heródoto, que mencionou um templo de Héracles na região. A arqueologia subaquática atualiza essa narrativa, mostrando como o porto conectava o mundo egípcio a comunidades helênicas, com Afrodite, Amon e mercadores compartilhando o mesmo espaço submerso.
Entre na conversa da comunidade