A proposta de mudança climática está impulsionando uma revolução na viticultura francesa. Em uma região pouco marcada pela produção de brancos, produtores do Monts d’Avène, no high Languedoc, apostam em vinhos brancos de alta qualidade e acidez preservada, resultado de novas combinações varietais.
Cédric Guy, à frente do Domaine de Bon Augure, é peça central dessa transformação. Chefes de vinificação tradicionais eram céticos quanto a brancos naquela região quente, mas ele migrou para vinhas de montanha a 450-600 m, introduzindo Chardonnay com Petit Manseng e outras variedades, após anos de pesquisa.
A mudança ocorreu após a venda de sua participação na Sylva Plana, em 2013, quando os teores alcoólicos dos vinhos de montanha passaram de 12% para perto de 13%. O objetivo: produzir brancos ainda com boa acidez, aproveitando a chuva abundante e o equilíbrio do terroiro calcário.
Em abril, as condições climáticas favoreceram as vinhas de Bon Augure: folhas ainda fechadas e bulbos em dormência sinalizam atraso na colheita fora de perigo de geada. As vinícolas locais destacam que a acidez marcante dos vinhos se torna mais suave com o tempo, sem perder a vitalidade.
Os rótulos principais da Domaine mostram diversidade: um Chardonnay puro em terrier estrangeiro; um blend Chardonnay-Petit Manseng chamado Joncs-cella; um vinho de “skin-contact” à base de trois gris; e um Petite Arvine elaborado de forma fina. Todos mostram potencial internacional.
A atuação local não fica apenas na vinha. Uma ONG local, Les Compagnons du Sens, liderada pelo monge aposentado Frère Marie-Pâques, ajuda jovens produtores a se firmarem na Haute Vallée de l’Orb, incentivando nomes como Angel Montgros, Gravezon e Saint Antonin.
Para 2025, Monts d’Avène deve ganhar reconhecimento regional: os vinhos de Chardonnay cultivados em calcário e fermentados em barril podem compor a IGP Haute Vallée de l’Orb, fortalecendo a identidade da região e o portfólio de brancos franceses.
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