Michael S. Bar-Ron, pesquisador independente, afirmou ter encontrado menções a Moisés em inscrições na mina de Serabit el-Khadim, no Sinai, após oito anos de estudo. A análise utiliza imagens de alta resolução e varreduras 3D do Museu Semítico de Harvard para reinterpretação de textos gravados há quase 4 mil anos.
Serabit el-Khadim é conhecida pela extração de turquesa e cobre e por abrigar inscrições gravadas em proto-sinaítico, considerado ancestral de parte do alfabeto atual. Trabalhadores semitas sob domínio egípcio, no reinado de Amenemhat III, teriam contribuído para essas inscrições entre 1800 a.C. e 1750 a.C., segundo o estudo.
As supostas referências a Moisés aparecem como expressões em hebraico “zot mi’Moshe” e “ne’um Moshe”, de acordo com Bar-Ron. Se confirmadas, seriam potenciais referências extra-bíblicas ao nome do líder bíblico, com menções também ao TH “El”, um dos nomes de Deus na Bíblia Hebraica.
Especialistas divergem sobre a leitura, e o estudo ainda não passou por revisão por pares. O egiptólogo Thomas Schneider avaliou as conclusões como não comprovadas e alertou para o risco de interpretações arbitrárias em textos proto-sinaíticos.
Há diferença cronológica entre as inscrições (aproximadamente 1800 a.C.) e a cronologia tradicional do Êxodo (1450–1250 a.C.), o que complica uma associação direta com Moisés. Ainda assim, a descoberta agrega valor ao estudo da presença de hebreus no Egito antigo e de práticas religiosas e sistemas de escrita naquela região e período.
A arqueologia bíblica já discorda de que haja documentos egípcios que identifiquem explicitamente Moisés, e não há registro histórico definitivo do Êxodo. Mesmo assim, as inscrições de Serabit el-Khadim são consideradas relevantes por evidenciar trabalhadores semitas, sua religiosidade e o uso de uma escrita sofisticada no Egito antigo.
Para os pesquisadores, a leitura de Bar-Ron não nega a fé, mas requer verificação rigorosa. O que se apresenta, por ora, é uma janela para um período histórico pouco iluminado, com perguntas que seguem em aberto tanto na academia quanto na comunidade de fé.
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