O Junho Violeta, campanha da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, destaca a IA como aliada na detecção precoce do ceratocone. A doença afina a córnea e é uma das principais causas de transplant e, no Brasil, atinge cerca de 150 mil pessoas por ano. O objetivo é diagnosticar antes de sintomas.
Há uma fase anterior aos sinais, o ceratocone subclínico, em que a curvatura da córnea aparece normal em topografias comuns. Nesses casos, exame mais sofisticado revela alterações na superfície posterior e na espessura da córnea.
A IA analisa tomografias com milhares de dados, avaliando elevações, espessura, curvatura e biomecânica. Hoje, a sensibilidade para ceratocone já instalado supera 98%, enquanto para a forma subclínica fica em torno de 90%.
Avanços e tratamento
A progressão da doença pode ser contida pelo crosslinking de colágeno, que estabiliza a córnea. Estudos indicam eficácia entre 85% e 95%, com maior benefício em jovens, grupo de maior risco.
Diagnosticar na fase subclínica permite agir antes de danos visuais graves, reduzindo a necessidade de suportes como lentes funcionais, anel intracorneano ou transplante.
Futuro da detecção
A integração entre exames de alta resolução e IA deve ampliar a detecção precoce, principalmente em adolescentes e jovens. Também é prometida a triagem antes de cirurgias refrativas a LASER, onde o ceratocone é contraindicação.
Além disso, modelos preditivos podem estimar progressão e resposta ao crosslinking, enquanto apps de celular ampliam o rastreamento em locais sem tomógrafos.
Observação clínica
A IA não substitui o médico: ela destaca indícios, mas a decisão clínica continua essencial. A orientação é manter consultas oftalmológicas anuais e acompanhar mudanças no grau da visão.
Fontes enfatizam que a informação tecnológica serve como apoio à avaliação clínica, especialmente para o diagnóstico precoce do ceratocone.
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