O Coherence Neuro testou, em humanos, um implante cerebral de tamanho de uma moeda para detectar e tratar câncer. O experimento ocorreu durante cirurgias de retirada de tumores cerebrais no Royal Melbourne Hospital, na Austrália. O dispositivo ficou no cérebro por cerca de 30 minutos e foi removido ao final da avaliação de segurança.
O objetivo é monitorar sinais elétricos dos tumores e, em seguida, aplicar estimulação elétrica suave para tentar impedir o crescimento tumorígeno. Os pacientes participaram do procedimento com consentimento previamente obtido.
As informações sobre o teste foram confirmadas pela empresa, que afirma que a experiência permitiu observar o funcionamento do dispositivo a curto prazo. Não houve divulgação de dados clínicos detalhados neste estágio inicial.
Contexto tecnológico
A ideia por trás de implantes cerebrais para câncer se baseia em propriedades elétricas distintas de tecidos tumorais. Executivos da Coherence Neuro destacam que o problema é, em parte, de rede neural, o que orienta a abordagem de estimulação controlada.
Pesquisas anteriores mostraram que certos gliomas agressivos podem se apoiar em sinapses com neurônios vizinhos, influenciando o crescimento. Estudos com modelos animais sugerem que a eletricidade de baixa intensidade pode interromper sinais elétricos associados a tumores.
Tecnologias semelhantes já existem no mercado médico. O Optune, da Novocure, foi aprovado para glioblastoma em 2011 e recentemente ganhou autorização para uso em câncer de pâncreas. O sistema exige uso contínuo por grande parte do dia.
Entre na conversa da comunidade