O mofo azul, causado pelo fungo Penicillium italicum, provoca manchas azuis em frutas cítricas e ameaça lotes inteiros durante o armazenamento. Pesquisadores brasileiros identificaram estratégias do patógeno para vencer defesas da fruta e de microrganismos benéficos da casca.
Umas das principais descobertas vêm de pesquisadores da Unicamp e da USP, com apoio da FAPESP. O estudo teve reconhecimento internacional, sendo eleito o melhor artigo científico de 2025 pelo Journal of Agricultural and Food Chemistry.
A pesquisa revelou que o fungo ataca pequenas lesões na casca, libera enzimas e inicia a degradação da parede do fruto. Em resposta, a fruta produz flavonoides antifúngicos para conter o avanço da infecção.
No entanto, o P. italicum produz substâncias químicas que enfraquecem essas defesas e também as comunidades microbianas protetoras da casca. Os autores usaram metabolômica para mapear essas moléculas-chave.
Técnicas de imageamento por espectrometria de massa mostraram onde cada composto atua ao longo da infecção, revelando a disputa entre o fungo, as defesas da fruta e os microrganismos protetores.
Experimentos de laboratório indicam que a ausência de certos compostos reduz o crescimento do fungo, apontando alvos para novos métodos de controle sem prejudicar o fruto ou o meio ambiente.
A pesquisa sugere que, ao entender as moléculas envolvidas, será possível desenvolver inibidores específicos que atrapalhem o patógeno sem depender apenas de fungicidas sintéticos.
O problema é econômico: o nesting, disseminação rápida dentro de caixas de armazenamento, pode contaminar grandes quantidades de frutas em pouco tempo, elevando perdas em regiões produtoras.
No Brasil, maior produtor de laranja e principal exportador de suco, esse conhecimento sobre o comportamento do patógeno representa um passo para reduzir prejuízos e ampliar a segurança do manejo pós-colheita.
Entre na conversa da comunidade