A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou a maior e mais detalhada imagem já feita do centro da Via Láctea em luz visível. O mosaico de seis gigapixels mostra 60 milhões de estrelas, além de nebulosas e aglomerados estelares, em uma região conhecida como bojo galáctico. A imagem é vista como ferramenta para a busca de exoplanetas.
A captura foi realizada pelo telescópio espacial Euclid, lançado pela ESA, com a câmera de luz visível voltada para o coração da galáxia. O objetivo é mapear detalhes do centro galáctico e facilitar a identificação de planetas fora do sistema solar por meio de microlentamento.
Para especialistas, a imagem não é apenas estética: serve como referência para estudos sobre exoplanetas na região densamente povoada de estrelas. O conjunto de dados pode ampliar a capacidade de detectar sistemas planetários em um território de cerca de 26 mil anos-luz da Terra.
Microlentamento na prática
A técnica de microlentamento depende do alinhamento de estrelas, com a gravidade de uma estrela em primeiro plano agindo como lente. Esse efeito amplia a luz da estrela que está ao fundo, permitindo a detecção de planetas.
Segundo o pesquisador Jean-Philippe Beaulieu, a imagem do bojo galáctico contém dezenas de sistemas planetários conhecidos e deve ajudar no estudo de muitos outros. A abordagem já rendeu quase 300 exoplanetas nas últimas duas décadas.
A imagem do centro galáctico foi obtida ao longo de 26 horas, em março de 2025, e se estende por nove regiões maiores que a Lua Cheia. Ela representa um mosaico com uma resolução muito superior ao que já foi obtido pelo Hubble.
A ESA planeja que os dados sirvam de referência para a missão NASA Nancy Grace Roman, que monitorará o bojo galáctico nos próximos anos. O projeto, associado ao Galactic Bulge Time-Domain Survey, busca acompanhar eventos de interesse astronômico na região.
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