O canibalismo é tema de uma pesquisa publicada na revista PNAS nesta terça-feira, 30. O estudo sugere que o tabu não nasceu de aversão instintiva, e sim de um mecanismo de proteção contra consequências graves de comer carne humana.
Os autores usam um modelo matemático para mostrar que o consumo frequente de carne humana favorece a propagação de doenças. O risco aumenta quando canibais ingerem carne de outros canibais, pela transmissão de Príons, proteínas mal dobradas que afetam o sistema nervoso.
Príons são proteínas com estrutura anormal que podem se multiplicar dentro do organismo, causando danos cerebrais e doenças neurodegenerativas. O estudo explica como a presença dessas proteínas pode se espalhar com o canibalismo entre indivíduos da mesma espécie.
Riscos e explicações do tabu
A pesquisa indica que a transmissão de Príons pode levar a patologias graves, justificando parte do tabu social. Um exemplo histórico citado é o kuru, associado a comunidades como o povo Fore na Papua-Nova Guiné, que praticava o ritual de comer carne de parentes falecidos.
A hipótese dos pesquisadores, vinculados à Universidade de Wroclaw e à Universidade Charles de Praga, é que o tabu surgiu como uma barreira protetora frente à disseminação dessas doenças. A partir disso, o estudo propõe uma leitura alternativa sobre a origem cultural do costume.
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