O consumo de alimentos de origem vegetal pode reduzir o risco de doença renal crônica (DRC), aponta estudo recente publicado no Canadian Medical Association Journal. A pesquisa avaliou quase 180 mil pessoas, acompanhadas ao longo de 12 anos, e encontrou associação entre a dieta baseada em vegetais e menor incidência de DRC.
A análise utilizou dados do UK Biobank, que acompanha a saúde de cerca de meio milhão de pessoas no Reino Unido. Participantes com maior adesão à Dieta Planetária EAT-Lancet apresentaram menor probabilidade de desenvolver DRC, doença que envolve lesões nos rins e queda na taxa de filtração.
A nefrologista Patrícia Goldenstein, do Einstein Hospital, ressalta que parte do efeito protetor decorre de mudanças metabólicas que reduzem inflamação. Os autores destacam ainda o papel da dieta no combate ao estresse oxidativo, beneficiando a função renal.
Dieta Planetária e benefícios para os rins
A Dieta Planetária incentiva maior consumo de vegetais, grãos integrais, frutas, legumes e leguminosas, com redução de itens de origem animal. Segundo a equipe, o modelo é compatível com a saúde renal e pode contribuir para evitar a DRC.
Profissionais destacam que o padrão alimentar também reduz a demanda por carnes vermelhas, com impactos ambientais positivos. Nutricionistas ressaltam que o equilíbrio entre alimentos de origem vegetal e animal pode ser adequado ao gosto local, incluindo a diversidade de frutas tropicais e feijões.
Contexto no Brasil e cuidados práticos
Estimativas da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que entre 7% e 10% dos adultos brasileiros convivem com algum grau de comprometimento renal, muitas vezes sem diagnóstico. Mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, ajudam na prevenção.
A adoção gradual da Dieta Planetária deve considerar individualização nutricional, com monitoramento de potássio, fósforo e sódio. Reduzir carne vermelha, sal e açúcar pode favorecer a saúde renal e reduzir fatores de risco como hipertensão e resistência à insulina.
Cuidados na prática diária
Manter boa hidratação é essencial para prevenir cálculos renais, já que a baixa ingestão de água concentra a urina e facilita a formação de cristais. O consumo de água deve ser priorizado em relação a bebidas açucaradas ou alcoólicas.
Profissionais reforçam que a proteína não é inimiga, mas seu excesso pode sobrecarregar os glomérulos, acelerando a perda de função renal em indivíduos de risco. A orientação é buscar dieta individualizada, com acompanhamento médico e nutricional.
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