A drenagem urbana desponta como um dos maiores desafios das cidades brasileiras, especialmente com a intensificação de eventos climáticos extremos. A professora da UnB, Maria do Carmo de Lima Bezerra, propõe soluções baseadas na natureza em seu livro Infraestrutura Urbana: Planejar e Projetar Cidades Mais Sustentáveis. A obra reúne décadas de experiência em ensino e pesquisa.
Bezerra sustenta que o modelo tradicional, que prioriza canalizar a água da chuva, não resolve a longo prazo. Enchentes, alagamentos e deslizamentos atestam a necessidade de rever o planejamento urbano. O livro defende integração entre infraestrutura e urbanismo e o redesenho das áreas verdes com funções ecológicas.
Para a pesquisadora, o Distrito Federal ilustra os desafios da transição. Grandes obras de drenagem continuam reproduzindo sistemas ultrapassados, enquanto soluções baseadas na natureza poderiam reduzir alagamentos por meio de áreas permeáveis e jardins de chuva. A ideia é devolver água ao solo sempre que possível.
Infraestrutura baseada na natureza
As soluções propostas imitam processos naturais para manter a água no local de precipitação. Jardins de chuva, áreas de infiltração e infraestrutura verde visam recarregar lençóis freáticos, evitando o excedente hídrico e a escassez simultâneos. O objetivo é um metabolismo urbano mais circular.
Relevância para Brasília e outras cidades
Brasília tem vantagens pela extensão de áreas verdes, porém muitas perderam funções ecológicas. A recuperação da infiltração do solo em gramados e parques é apontada como prática essencial, para que áreas urbanas contribuam para a drenagem e o reforço ambiental.
Obstáculos à adoção de soluções eficazes
Segundo a autora, o maior entrave é a mudança de paradigma. A cultura de repetir soluções tradicionais persiste no mercado, na engenharia e na gestão pública. Superar isso exige formação técnica contínua e novas gerações de profissionais preparados para pensar cidades em parceria com a natureza.
Desdobramentos práticos e impactos
Eventos extremos, como enchentes recentes no Sul, evidenciam a necessidade de rever o uso do solo em esferas urbanas e regionais. A impermeabilização, o manejo inadequado e a perda de vegetação reduzem a capacidade de infiltração e exigem políticas de planejamento mais integradas.
Conclusão operacional do livro
Não existe solução única para todas as cidades. As respostas devem considerar clima, relevo, vegetação e ocupação locais. O planejamento urbano deve usar a infraestrutura convencional apenas quando as soluções naturais não houverem sido suficientes, mantendo a neutralidade técnica e factual.
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