Alberto Landgraf lança livro sobre o Oteque enquanto avalia o presente da carreira. Em São Paulo, o chef celebra o lançamento e fala de planos, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e o significado de deixar legado sem desistir da cozinha.
O livro, intitulado Oteque: Ideas, Principles, Recipes, Stories and Connections, tem edição da Phaidon. Emilia Terragni conduz a relação com o projeto desde o Epice, em 2010, e o material reúne saúde técnica, imagens e receitas. A publicação segue após anos de produção.
O texto ficou a cargo do crítico Andrea Petrini, com fotografias de Robert Astley-Sparke. O projeto, iniciado em 2023, ganhou formato de livro de mesa com capa de tecido, em inglês, com versão em português prevista para o fim deste ano. Landgraf descreve o livro como um legado educativo.
Durante a conversa, o chef narra a motivação por trás do Oteque. Ele afirma que seguir aprendendo e manter a disciplina criativa são os pilares da casa, que funciona com foco no serviço, no vinho e na experiência do cliente.
Nascido em Cornélio Procópio, Landgraf relembra momentos de instabilidade e o agravamento de uma possível burnout. Hoje, ele destaca a motivação de evoluir a cada dia e a satisfação de conhecer pessoas e culturas através da gastronomia.
Em relação a premios, Landgraf minimiza o impacto de estrelas Michelin e rankings. Para ele, prêmios não definem a qualidade; o que conta é a casa formada por clientes frequentes e uma equipe estável. A cada dia, ele busca equilíbrio entre pressões e rotina.
Sobre o cenário da gastronomia brasileira, o chef critica o excesso de holofotes e valoriza a construção de uma prática mais sólida. Ele aponta que a avaliação deve privilegiar serviço, treinamento e condições de trabalho para a equipe.
Além disso, Landgraf comenta a polêmica em torno de práticas de mercado e de crítica gastronômica. Ele defende uma imprensa mais crítica e menos protagonistas individuais, destacando a necessidade de avaliações baseadas em fatos verificáveis.
Ao considerar o futuro, o chef admite que não sabe se terá energia para novos projetos parecidos com o Oteque. Caso haja continuidade, ele aponta a possibilidade de atuação fora do Brasil, especialmente na Ásia, onde o respeito ao trabalho do cozinheiro é mais evidente.
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