Metade dos brasileiros acredita que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros têm como objetivo favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. É o que aponta pesquisa Datafolha, que também mostra ampla preferência da população por uma solução negociada para a crise comercial entre os dois países.
Metade dos brasileiros acredita que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros têm como objetivo favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. É o que aponta pesquisa Datafolha, que também mostra ampla preferência da população por uma solução negociada para a crise comercial entre os dois países.
Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados afirmam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende ajudar Flávio Bolsonaro ao impor as tarifas. Outros 37% rejeitam essa avaliação, enquanto 11% não souberam responder.
A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 23 de julho com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01166/2026.
O recorte por intenção de voto revela diferenças entre os eleitores dos principais candidatos. Entre os que declaram voto em Flávio Bolsonaro, 29% acreditam que Trump busca beneficiá-lo com a medida. Já entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esse percentual sobe para 73%.
A pesquisa também indica que o tema já é conhecido pela maioria da população. Ao todo, 63% dizem estar informados sobre o tarifaço, sendo 25% bem informados e 34% razoavelmente informados.
Responsabilidade pela crise
Questionados sobre quem tem razão no embate político em torno das tarifas, 34% afirmam que Lula acerta ao responsabilizar Flávio Bolsonaro pela medida americana. Outros 26% concordam com o senador, que atribui a crise ao governo federal. Para 24%, nenhum dos dois está certo, enquanto 11% consideram que ambos têm razão. Outros 6% não responderam.
Quando o assunto é atribuir a responsabilidade direta pelas tarifas, as opiniões ficam mais divididas.
Para 35% dos entrevistados, a culpa é de Lula. Outros 28% responsabilizam Trump. Já os irmãos Bolsonaro somam 23% das citações: 13% apontam Flávio Bolsonaro e 10%, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Outros 10% não souberam responder.
Maioria defende negociação
Apesar da polarização política, o levantamento mostra consenso maior sobre a resposta brasileira à crise comercial. Para 74% dos entrevistados, o Brasil deve negociar uma solução com os Estados Unidos, sem adotar medidas de retaliação.
Já 17% defendem que o governo brasileiro responda com tarifas equivalentes às impostas pelos norte-americanos. Apenas 2% avaliam que o país deveria aceitar as medidas sem reagir.
Sobre a atuação do governo federal nas negociações, 51% consideram que Lula fez menos do que poderia para tentar reverter as tarifas. Outros 29% avaliam que a atuação foi adequada, enquanto 12% dizem que o presidente foi além do necessário.
Tarifa pode chegar a 37,5%
A crise comercial entre o Brasil e EUA se intensificou neste mês após a adoção de duas rodadas de tarifas pelos norte-americanos sobre produtos brasileiros.
A primeira entrou em vigor em 22 de julho, com uma alíquota de 25%, após recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A medida foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, sob a justificativa de que o Brasil adota práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos.
Dois dias depois, em 24 de julho, passou a valer uma segunda tarifa, de 12,5%, aplicada ao Brasil e a outros 59 países. Nesse caso, a justificativa foi a avaliação de que os países não mantêm fiscalização suficiente para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a maior parte dos produtos atingidos pela primeira medida também foi incluída na segunda, elevando a tributação total para 37,5% sobre boa parte das exportações brasileiras afetadas.
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