O estudo da Universidade de Oxford, conduzido pelo pesquisador Charles Spence, aponta que a música pode modificar a percepção do vinho durante a degustação. A pesquisa envolveu 154 profissionais do setor, entre sommeliers, jornalistas, enólogos e restaurateurs, com pelo menos 18 anos de experiência, e todos foram impactados.
Os resultados indicam que sons graves e pesados, com guitarras distorcidas e bateria marcante, tendem a intensificar características como corpo, tanino e estrutura, especialmente em vinhos encorpados como Bordeaux. O mesmo ocorre com outros vinhos de maior presença, como Cabernet Sauvignon da margem esquerda.
Além de reforçar ou suavizar sensações, o estudo sugere que o ouvido e o paladar interagem de forma crossmodal, ou seja, o cérebro integra sentidos para criar uma experiência sensorial única. Desse modo, o ambiente sonoro pode acentuar aromas, sabores e a percepção de frescor.
Recomendações de combinações
- Vinho branco fresco, como Alvarinho ou Sauvignon Blanc: sons agudos e instrumentos de sopro realçam notas cítricas e frescor.
- Vinhos tintos estruturados, como Bordeaux: composições intensas de cordas ou metais densos acompanham a sensação de riqueza.
- Vinhos vibrantes, sem carvalho, como alguns Chardonnay: piano suave e melodias leves potencializam delicadeza e brilho.
Chef Heslton Blumenthal, da Fat Duck, aponta que experiências sonoras já são exploradas na gastronomia há quase uma década, reforçando a ideia de que som influencia sabor. Além disso, pesquisadores destacam que ambientes bem escolhidos elevam a experiência de degustação sem exigir expertise.
Situação prática
- Pode-se associar vinhos brancos com peças clássicas de ritmo brisko, para realçar a sensação de vivacidade.
- Vintages mais potentes exigem trilhas sonoras mais pesadas para acompanhar a profundidade do vinho.
- A relação entre som e sabor não altera a diferença entre marcas, apenas potencializa características sensoriais durante a degustação.
Experimenteções continuam a mirar como o som pode moldar percepções gustativas, sugerindo que o ato de degustar vinho envolve mais do que paladar. O estudo aponta que ouvir a trilha certa pode intensificar a experiência, sem comprometer a avaliação técnica.
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