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Especialistas alertam sobre o mito de engolir a língua e riscos na reanimação cardíaca

Crença errônea sobre a língua atrapalha reanimação em colapsos cardíacos, elevando mortalidade entre atletas.

O futebolista Antonio Puerta, de joelhos no chão após desmaiar em campo durante um jogo da Liga em agosto de 2007. (Foto: MIGUEL ANGEL MORENATTI/AP)
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  • Um estudo recente revelou que a crença de que a língua pode ser tragada durante um colapso cardíaco prejudica a reanimação cardiopulmonar (RCP) em atletas.
  • A pesquisa, publicada no Canadian Journal of Cardiology, analisou 45 incidentes de colapsos em eventos esportivos.
  • Em 84% dos casos, a primeira ação foi abrir a boca do atleta, enquanto apenas seis receberam compressões torácicas como primeira medida.
  • Os dados mostram que 70% dos atletas que evitaram a “deglutição da língua” faleceram ou ficaram em estado vegetativo, enquanto todos que receberam compressões iniciais sobreviveram sem danos cerebrais significativos.
  • Especialistas recomendam iniciar a RCP imediatamente e chamar os serviços de emergência, pois a sobrevivência é maior quando a desfibrilação ocorre nos primeiros cinco minutos após o colapso.

Em um estudo recente, pesquisadores analisaram a resposta a paradas cardíacas em atletas, revelando que a crença de que a língua pode ser tragada durante um colapso atrapalha a reanimação cardiopulmonar (RCP). O estudo, publicado no *Canadian Journal of Cardiology*, destaca que essa ideia errônea pode resultar em altas taxas de mortalidade entre os esportistas.

O caso de Antonio Puerta, jogador do Sevilla, que faleceu em 2007 após desmaiar em campo, e o de Christian Eriksen, que sofreu um colapso na Eurocopa de 2021, foram citados como exemplos. Ambos os jogadores receberam tentativas de reanimação que priorizaram a abertura da boca para evitar a “deglutição da língua”, em vez de iniciar compressões torácicas imediatamente.

A pesquisa analisou 45 incidentes de colapsos de atletas em eventos esportivos, constatando que em 84% dos casos, a primeira ação foi a abertura forçada da boca. Apenas seis atletas receberam a RCP adequada com compressões torácicas como primeira medida. Os dados mostram que 70% dos atletas que tiveram tentativas de evitar a deglutição da língua faleceram ou ficaram em estado vegetativo, enquanto todos que receberam compressões torácicas iniciais sobreviveram sem danos cerebrais significativos.

Mitos e Realidade

Ignacio Fernández Lozano, presidente eleito da Sociedade Espanhola de Cardiologia, esclarece que a língua não pode ser tragada, mas pode obstruir as vias aéreas. A manobra correta é a “frente-mentão”, que deve ser realizada rapidamente para garantir a passagem de ar. A demora em iniciar a RCP pode reduzir a chance de sobrevivência em 10% a 12% a cada minuto.

Além disso, o estudo aponta que a falta de formação em primeiros socorros e a disseminação de mitos pela mídia contribuem para a ineficácia nas respostas a emergências. A confusão entre sinais de parada cardíaca e convulsões também pode levar a atrasos na intervenção.

Os especialistas enfatizam que, em caso de colapso, é crucial chamar os serviços de emergência e iniciar a RCP imediatamente, sem se preocupar com possíveis danos durante as compressões. A sobrevivência em casos de parada cardíaca é significativamente maior quando a desfibrilação é realizada nos primeiros cinco minutos após o colapso.

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