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Infecções respiratórias ativam células do câncer de mama; saiba mais sobre o estudo

Infecções respiratórias podem ativar células dormentes de câncer de mama, elevando risco de metástase nos pulmões, especialmente após covid-19

Câncer de mama: maior parte das mortes é causada por metástase, muitas vezes após longos períodos de dormência clínica (Foto: Comstock/Thinkstock/VEJA/VEJA)
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  • Um estudo publicado na revista Nature revela que infecções respiratórias, como gripe e covid-19, podem reativar células dormentes de câncer de mama.
  • A reativação aumenta o risco de metástase nos pulmões, especialmente em pacientes que já enfrentaram a doença.
  • A inflamação causada por vírus, como o influenza e o SARS-CoV-2, libera interleucina-6 (IL-6), que ativa células cancerígenas inativas.
  • Em experimentos com camundongos, o número de células tumorais ativas aumentou de cem a mil vezes após a infecção.
  • Pacientes com histórico de câncer que contraíram covid-19 apresentaram risco quase duas vezes maior de morte por câncer, e mulheres com câncer de mama tiveram risco de metástase nos pulmões 44% maior após a infecção.

Um estudo recente publicado na revista *Nature* revela que infecções respiratórias, como gripe e covid-19, podem reativar células dormentes de câncer de mama, aumentando o risco de metástase nos pulmões. Essa descoberta é especialmente relevante para pacientes que já enfrentaram a doença.

Pesquisadores observaram que infecções por vírus como o influenza e o SARS-CoV-2 provocam uma intensa inflamação nos pulmões, liberando uma substância chamada interleucina-6 (IL-6). Essa substância é fundamental para “acordar” células cancerígenas que permanecem inativas no organismo. Em experimentos com camundongos, o número de células tumorais ativas aumentou de 100 a 1.000 vezes após a infecção, com efeitos persistindo por meses.

Além da IL-6, os linfócitos CD4, que normalmente ajudam na defesa do organismo, também desempenham um papel crucial. Eles criam um ambiente que protege as células cancerígenas, dificultando a ação de outras células de defesa. Quando esses linfócitos foram removidos, a quantidade de células cancerígenas nos pulmões diminuiu significativamente.

Os pesquisadores analisaram dados de milhares de pacientes e descobriram que aqueles com histórico de câncer que contraíram covid-19 apresentaram um risco quase duas vezes maior de morte por câncer em comparação com os não infectados. Entre mulheres com câncer de mama, o risco de metástase nos pulmões foi 44% maior após a infecção.

Esses achados levantam questões sobre a relação entre infecções respiratórias e a reativação de células cancerígenas. Embora ainda não se saiba se vacinas contra gripe e covid-19 podem reduzir esse risco, o estudo abre novas possibilidades para futuras pesquisas. O oncologista Gustavo Trautman Stock destaca a importância de entender esses mecanismos para enfrentar a progressão metastática.

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