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Terras raras: o que são e o papel do Brasil na corrida por elas

Brasil busca transformar reservas de terras raras em cadeia de valor nacional, avançando em purificação, separação e manufatura para evitar exportar apenas matéria-prima

Mina Mountain Pass, na Califórnia, a única fonte de terras raras dos EUA. Operada pela empresa MP Materials, ela é uma das maiores reservas de ETRs do mundo.
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  • O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas a produção local é quase nula, dependente de uma única mineradora no país.
  • A China detém grande parte da cadeia de valor, com mais de noventa por cento do refino e domínio sobre o processo de separação, o que sustenta o poder econômico no setor.
  • Hoje, a Serra Verde é a única mineradora brasileira de terras raras, explorando argilas iônicas em Goiás; há projetos em Goiás, Bahia, Amazonas e Minas Gerais para ampliar a produção.
  • A aposta brasileira envolve criar uma cadeia produtiva completa, incluindo purificação, separação, metalurgia e manufatura avançada, para gerar valor agregado interno, não apenas exportar concentrados.
  • O programa MagBras, com apoio do CIT Senai ITR em Lagoa Santa (MG) e investimento de R$ 73 milhões, visa estudar e transferir tecnologia para a produção de ímãs à base de neodímio, além de explorar reciclagem e outras vias de processamento.

O tema das terras raras envolve 17 elementos químicos essenciais para smartphones, setores militares e a transição energética. A China detém o maior peso do mercado, com quase todo o refino centralizado. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial, mas a produção interna ainda é mínima.

A exploração brasileira desperta interesse, mas não se resume a extrair mais minerais. A cadeia de valor exige processos caros e complexos de purificação, separação e fabricação de itens finais, o que aumenta o desafio de transformar reservas em riqueza nacional.

Conforme dados do mercado, a China controla mais de 90% da purificação de terras raras. Os EUA acumulam menos de 2% das reservas, enquanto o Brasil detém cerca de 20% das reservas globais. A dependência de importação é um ponto de vulnerabilidade estratégica.

O caminho das pedras

A extração acontece principalmente em rochas e areias, como monazita e bastnasita. No Brasil, a presença de tório e urânio junto aos ETRs impõe rigores de segurança e regulações específicas. A separação é o gargalo técnico mais relevante.

O processo envolve várias etapas químicas, com uso de solventes e geração de rejeitos. A descarbonização da indústria não elimina o custo ambiental, que exige manejo de impactos e resíduos tóxicos. A cadeia de valor envolve purificação e manufatura de ímãs.

No cenário global, a China já domina a infraestrutura necessária para a separação industrial. Mesmo com países como EUA, Austrália e Canadá atuando na exploração, o refino e a produção de componentes de alto valor permanecem concentrados na Ásia.

A oportunidade brasileira

Historicamente, o Brasil chegou a liderar a produção mundial de ETRs na década de 1940, com inovação local. Ao longo dos anos, investiu pouco em pesquisa e perdeu terreno. Hoje, a produção nacional é reduzida a uma única mineradora: Serra Verde, em Goiás, com atuação em argilas iônicas.

A Serra Verde planeja chegar a 6,6 mil toneladas por ano de óxidos, até 2027, mesmo diante da comparação com a China, que chega a 270 mil toneladas anuais. O Brasil aguarda ampliar a oferta com novos projetos no Sul de Minas, Goiás, Bahia e Amazonas.

Projetos de empresas estrangeiras também surgem, com interesse em investir na separação e na fabricação de ímãs por aqui. Contudo, ainda não há um plano nacional claro para consolidar uma cadeia produtiva integrada.

O que vem pela frente

A prioridade está em desenvolver uma política de Estado que valorize a cadeia completa, desde a extração até a manufatura avançada. Pesquisadores destacam o risco de o Brasil virar apenas exportador de matéria-prima sem valor agregado. A purificação é o passo decisivo para o ganho de tecnologia.

No âmbito público, o CIT Senai ITR em Lagoa Santa (MG) iniciou atividades em 2024 para estudar estratégias de fabricação de ímãs. O projeto MagBras, envolvendo 38 parceiros, busca ampliar inovação, pesquisa e eventualmente a transferência de tecnologia para a indústria.

A iniciativa soma recursos de investimento significativos e aponta para a consolidação de uma indústria sul-americana de terras raras. A expectativa é que avanços em pesquisa, sustentabilidade e formação de recursos humanos contribuam para ampliar o protagonismo do Brasil no setor.

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