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Cientistas de SC avaliam possíveis benefícios da guabiroba à saúde

Cientistas de Santa Catarina avaliam guabiroba como potencial alimento funcional, com antioxidantes que resistem à digestão e podem ajudar no controle glicêmico e do colesterol

Pesquisa indica que compostos antioxidantes da guabiroba resistem à digestão e podem atuar no controle glicêmico e do colesterol
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  • Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina testam a guabiroba, fruta da Mata Atlântica, por compostos antioxidantes que resistem à digestão e podem ajudar no controle glicêmico e do colesterol.
  • Em simulação de digestão realizada em laboratório, vários constituintes do fruto e das folhas permaneceram acessíveis, sugerindo efeitos benéficos no organismo.
  • Entre os principais fenólicos estão flavonoides como kaempferol, quercetina e miricetina, com ações antioxidantes e indicativas de atuação anti-inflamatória nas artérias.
  • Em experiência com biscoito feito com extrato da guabiroba, testado em cães, houve modulação do açúcar no sangue e redução dos níveis de colesterol total.
  • A pesquisa também envolve outras frutas nativas da região, como jabuticaba, pitanga e araçá, e ressalva que testes em humanos são necessários para confirmar os benefícios.

A guabiroba, fruto da Mata Atlântica, vem sendo estudada por pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) para entender seus possíveis benefícios à saúde. A pesquisa analisa compostos antioxidantes do fruto e de folhas, avaliando resistência à digestão e impacto no controle glicêmico e do colesterol.

A pesquisadora Aniela Kempka, engenheira de alimentos e líder do grupo, explica que os fenólicos, especialmente flavonoides, são destacados na fruta. Em simulações digestivas, muitos desses compostos permaneceram acessíveis, o que sugere efeito benéfico potencial no organismo.

Os estudos utilizam extratos da guabiroba para observar ações antioxidantes e anti-inflamatórias, que podem proteger as artérias. Entre os compostos identificados estão ácidos clorogênico, gálico, cafeico e elágico, além de kaempferol, quercetina e miricetina. Também houve indicações de impacto metabólico em modelos experimentais.

Além da fruta, pesquisadores prepararam um biscoito com extrato da guabiroba (frutos e folhas) e testaram em cães. Observou-se controle glicêmico moderado e redução do colesterol total, apontam as análises preliminares. Ainda não há confirmação em humanos.

Descobrindo a guabiroba

A guabiroba é pouco explorada como alimento diário ou em alimentos funcionais. Entender seus ingredientes nativos amplia o repertório alimentar, fortalece cadeias produtivas locais e favorece modelos de produção mais sustentáveis, segundo a nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas.

Freitas afirma que ampliar a variedade de frutas eleva a ingestão de fibras, antioxidantes e fitoquímicos, com impactos positivos na microbiota intestinal e no metabolismo. A guabiroba é rica em vitamina C e potássio, além de carotenoides que conferem a cor amarela do fruto.

Sobre as espécies

A Campomanesia xanthocarpa, estudo da Udesc, ocorre principalmente no Sul e no Sudeste; é árvore alta, com mais de 15 metros. A gabiroba-do-campo, ou guavira (Campomanesia adamantium), é um arbusto de cerca de dois metros, comum no Cerrado, ambos com frutos amarelos, doces e utilizados em receitas diversas.

Existe ainda a guariroba ou gueroba, que não é a guabiroba. Trata-se da Syagrus oleracea, palmeira do Cerrado, presente no Sudeste e no Nordeste, cuja palmeira fornece palmito firme e amêndoa usada em sobremesas.

Texto de referência permanece a partir da Agência Einstein, com participação de pesquisadores da Udesc e contribuições de profissionais da área nutricional.

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