- Estudo randomizado com 108 adultos obesos mostrou que semaglutida semanal (2,4 mg) reduziu episódios de consumo excessivo de álcool em comparação ao placebo, com apoio de terapia cognitivo-comportamental.
- No início, a média de dias com consumo excessivo nos últimos 30 dias era de 17; após seis meses, caiu para cerca de cinco dias no grupo tratado e nove dias no grupo placebo.
- O consumo total de álcool caiu de cerca de 2.200 gramas por mês para 650 gramas no grupo com semaglutida e 1.175 g no grupo placebo.
- Os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais (náusea em 57% versus 7%; constipação em 35% versus 17%; refluxo em 28% versus 2%); quatro participantes do grupo semaglutida abandonaram o estudo.
- Limitações incluem pequena amostra, maioria branca, apenas pessoas com IMC igual ou superior a 30 kg/m², sem dados pós-tratamento e sem confirmação de que o efeito sobre o álcool é independente da perda de peso; são necessárias mais pesquisas.
O uso semanal de semaglutida, princípio ativo do Ozempic e Wegovy, reduziu episódios de consumo excessivo de álcool em pacientes com obesidade. O estudo foi publicado na The Lancet nesta quinta-feira (30).
Trata-se de um ensaio clínico randomizado com 108 adultos obesos, realizado no Mental Health Center Copenhagen, Dinamarca, entre junho de 2023 e fevereiro de 2025. Participaram 53 mulheres e 55 homens, com média de 52 anos.
Ao longo de seis meses, o grupo que recebeu semaglutida apresentou queda nos dias de consumo excessivo de álcool, de 17 para cerca de cinco dias, frente a nove dias no grupo placebo. O consumo total de álcool também caiu mais no grupo ativo.
Ao todo, o consumo mensal de álcool caiu de cerca de 2.200 gramas para aproximadamente 650 gramas no grupo tratado, e 1.175 g no grupo controle. Todos os participantes receberam até dez sessões de terapia cognitivo-comportamental.
Resultados e contexto
O ensaio aponta que a semaglutida pode ampliar opções de tratamento para transtorno por uso de álcool, estimando impactos potenciais em milhões de pessoas. O transtorno por uso de álcool representa cerca de 5% das mortes globais anuais.
Financiamento e conflitos
A pesquisa contou com apoio da Fundação Novo Nordisk, ligada ao fabricante da droga. Os autores destacam que a empresa não participou do desenho, coleta, análise ou interpretação dos dados.
Efeitos adversos e limitações
Os efeitos colaterais mais comuns foram gastrointestinais: náusea em 57% vs 7% no placebo; constipação em 35% vs 17%; refluxo em 28% vs 2%. Quatro participantes abandonaram o estudo por razões associadas aos efeitos.
Entre as limitações, os autores apontam amostra pequena e população predominantemente branca. O objetivo com IMC igual ou superior a 30 kg/m² restringe os resultados a obesos. Não houve dados pós-tratamento para avaliar manutenção dos efeitos.
Perspectivas futuras
Não ficou comprovado se o efeito sobre o álcool decorre apenas da perda de peso. A correlação observada entre emagrecimento e redução do consumo foi significativa apenas no grupo semaglutida. Mais pesquisas são necessárias antes de uso off-label.
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