- Estudo na revista The Lancet avaliou 108 adultos acima do peso com alcoolismo, comparando semaglutida (GLP‑1) semanal a placebo, todas as pessoas também recebendo terapia cognitivo‑comportamental.
- Em seis meses, o grupo que recebeu GLP‑1 reduziu pela metade os dias de ingestão pesada de álcool no primeiro mês, versus o grupo placebo.
- A perda de peso foi de 11,2 kg no grupo GLP‑1, contra 2,2 kg no grupo placebo, em 26 semanas.
- O consumo de álcool caiu de cerca de 2,2 kg para 650 g nos 30 dias iniciais no grupo GLP‑1, enquanto o grupo placebo caiu para 1.175 g no mesmo período.
- Autores afirmam que o efeito foi suficientemente grande para ser detectado, sugerindo possível uso expandido da semaglutida para obesidade com comorbidade de alcoolismo; estudo é o primeiro com grupo controle nessa combinação.
O estudo publicado na revista The Lancet aponta que medicamentos GLP-1 podem reduzir o consumo excessivo de álcool e favorecer o emagrecimento em pessoas acima do peso com dependência química. A pesquisa avaliou 108 adultos com obesidade e alcoolismo em tratamento.
Os participantes receberam semanalmente semaglutida ou placebo, além de terapia cognitivo-comportamental. Em seis meses, o grupo GLP-1 reduziu consideravelmente dias de ingestão de álcool e teve maior perda de peso, em comparação ao grupo controle.
Ao início, a média era de 17 dias de consumo excessivo de álcool no último mês. No fim do acompanhamento, foram 5 dias no grupo GLP-1 versus 9 no placebo.
A massa de álcool consumida também caiu mais no grupo ativo, de cerca de 2,2 kg para 650 g nos 30 dias, contra 1,175 kg para o grupo controle. Os pesquisadores destacam que os resultados, ainda com amostra pequena, mostram efeito detectável do tratamento.
Os autores, do Hospital Universitário Bispebjerg e Frederiksberg, em Copenhague, ressaltam a necessidade de novas opções terapêuticas para alcoolismo, dada a sua relevância desde as mortes até o impacto sobre a obesidade associada.
Metabolismo
O álcool e a obesidade elevam o risco de doenças crônicas, incluindo diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. O fígado é o órgão-alvo principal dessa interação, já que metaboliza o álcool e regula o metabolismo energético.
Camila Viecceli, endocrinologista, explica que a obesidade aumenta o fluxo de ácidos graxos livres ao fígado, gerando inflamação e estresse oxidativo. O álcool potencializa essas lesões, favorecendo esteatose e doenças hepáticas.
Guilherme Rodrigues, nutricionista, afirma que o álcool atrapalha o emagrecimento ao reduzir a queima de gordura e fornecer calorias vazias. Dietas ricas em proteínas e fibras ajudam a controlar fome e desejo por álcool.
Especialistas destacam que agonistas de GLP-1 podem ser uma arma duplo-eficaz. Outros estudos sugerem que a semaglutida reduz o tempo de esvaziamento gástrico e pode diminuir o consumo de álcool, contribuindo para o emagrecimento.
Terapia
Os estudos sobre GLP-1 associam o uso de medicamentos a intervenções terapêuticas. Além da droga, os voluntários passaram por terapia cognitivo-comportamental para abordar gatilhos emocionais que levam ao consumo de álcool e à alimentação desregulada.
Miguel Bunge, psicólogo clínico, ressalta que hábitos alimentares e consumo de álcool compartilham mecanismos de recompensa no cérebro. A TCC ajuda a identificar gatilhos, padrões de pensamento e estratégias de enfrentamento.
Especialistas enfatizam a importância de combinar tratamento farmacológico com psicoterapia para eficácia em casos de comorbidade entre obesidade e alcoolismo. A intervenção integrada busca reduzir impulsos e favorecer escolhas saudáveis.
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