- Harvard publicou estudo que liga dormir muito tarde a maior risco cardiovascular, com dados de cerca de 300 mil adultos.
- Cerca de 8% se definiam como noturnos (horários de dormir perto das 2h), 24% como matutinos e 67% como intermediários.
- Comparando cronotipo intermediário com noturnos, houve 79% mais pontuações ruins para a saúde do coração entre os noturnos.
- Grupo noturno apresentaram 16% maior chance de sofrer um primeiro ataque cardíaco ou derrame em quase 14 anos de acompanhamento.
- Médicos ressaltam que manter regularidade no sono e adotar hábitos saudáveis pode reduzir riscos, mesmo para quem tem cronotipo noturno.
O estudo divulgado pela Universidade de Harvard, baseado em dados publicados no Journal of the American Heart Association, aponta que dormir muito tarde pode afetar a saúde do coração. Pesquisadores analisaram padrões de sono de cerca de 300 mil adultos para entender impactos cardiovasculares.
Entre os participantes, 8% se definiram como noturnos, com sono próximo de 2h da manhã; 24% eram matutinos e 67% intermediários. A métrica Life’s Essential 8 foi usada para avaliar hábitos e indicadores de saúde do grupo.
A comparação entre cronotipos mostrou que o grupo intermediário apresentou 79% mais chances de pontuações ruins na saúde cardíaca frente aos noturnos. O grupo coruja teve 16% maior risco de infarto ou derrame em quase 14 anos de acompanhamento.
O estudo também destacou que indivíduos matutinos tiveram 5% menos de probabilidade de pontuações ruins relacionadas ao coração. Os resultados sugerem que o sono irregular pode influenciar fatores vasculares, metabólicos e inflamatórios.
O cardiologista Fabrício da Silva, da Amplexus Saúde, analisa que o desalinhamento biológico gerado por dormir tarde pode ativar mais o sistema nervoso simpático, aumentando cortisol e adrenalina. Esse efeito eleva a pressão arterial noturna e atrasa a recuperação cardíaca.
Segundo o especialista, hábitos associados como sedentarismo, alimentação irregular, consumo de ultraprocessados, álcool e privação de sono agravam o risco cardiovascular. O efeito acumulado do sono insuficiente está ligado a obesidade, diabetes e aterosclerose.
Risco de evento cardíaco e derrame também é apontado pelo estudo como consequência de alterações no sono. O atraso repetido do horário de dormir pode reduzir a eficácia da circulação e aumentar a resistência à insulina, elevando a glicose sanguínea.
Para reduzir impactos, o médico orienta manter regularidade no sono e evitar grandes variações entre dias úteis e fins de semana. Mudanças simples na rotina podem ajudar a diminuir os riscos, mesmo quando o cronotipo não pode ser alterado.
Esses dados reforçam a importância de práticas saudáveis como atividade física regular, alimentação balanceada e restrição de álcool. As estratégias visam diminuir fatores que elevam a probabilidade de infarto e AVC.
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